Após cirurgias em Brasília jornalista Pedro Oliveira regressa e retoma suas atividades como colunista político e com projeto editorial de impacto

Na próxima semana desembarca em Maceió o jornalista Pedro Oliveira, que esteve afastado de suas atividades profissionais por quatro meses em decorrência de uma “hidrocefalia” (uma condição em que há um acúmulo de líquido no cérebro, o que pode causar aumento da pressão intracraniana). Em plena recuperação e com alta médica, permanece em Brasília até o dia 20 do corrente, onde desenvolve sua atuação como presidente do Conselho de Administração do Metrô/DF, trazendo na bagagem um projeto editorial que será uma trilogia com o título “Repressão Nunca Mais”, onde contará fatos da história do período de repressão, alguns vividos por ele, como jornalista, outros como testemunha ocular dos arbítrios praticados pelos agentes da Ditadura Militar, em sua atuação na imprensa de São Paulo e em Alagoas. Os três volumes serão lançados em 2025.
Como surgiu a ideia de escrever os livros que formam a trilogia “Repressão Nunca Mais”?
Na verdade, nesse meu período “sabático”, por questões de saúde, até que não produzi muito. O primeiro volume da trilogia já estava pronto quando vim para Brasília, é um livro que conta os horrores, as torturas, as mortes de brasileiros, pela Ditadura Militar. Eu achava que estava devendo esse livro ao leitor, aos colegas jornalistas, torturados e mortos e aos familiares, muitos sem saber onde estão enterrados seus corpos.
Algum fato especifico trouxe essa decisão de escrever sobre a Ditadura depois de tantos anos?
Sim, com certeza. O desastroso governo de Jair Bolsonaro e os caminhos tomados por seus fanáticos seguidores, foram o início de minha indignação. Depois quando passei a assistir jovens pedindo “a volta da Ditadura”, militares de alta patente tentando desconstruir a democracia, alguns quartéis dando guarida aos ensandecidos e o próprio presidente incentivando, senti o grande perigo que estávamos vivendo. Os atos antidemocráticos, com a tentativa de golpe em 8 de janeiro de 2024, me fizeram então, logo em seguida, começar a escrever o livro “A Face Cruel da Ditadura”, que me levou em seguida a novas pesquisas que me trouxeram mais dois títulos, formando a trilogia ´Repressão nunca Mais”.
Já tem data para o lançamento?
O livro está concluído e pronto para entrar em gráfica, só dependendo de alguns ajustes.
Acredito que até setembro possa acontecer. Já está inclusive prefaciado pelo nosso estimado colega, Edberto Ticianeli, com toda autoridade que tem sobre o assunto.
Você já pode revelar sobre os dois próximos livros? Quando estarão prontos para o lançamento?
Os dois volumes estão já bem adiantados, caminhando com pesquisas e buscas de informações, arquivos públicos e fontes de informação credenciadas. Outra dificuldade é que livro não tem patrocínio, tenho aberto negociações com algumas editoras, mas para um autor desconhecido é praticamente autofinanciado. Queria muito lançar ainda este ano. O II volume é “Dom Hélder Câmara, o bispo que enfrentou a Ditadura”, falando da vida e obra do arcebispo que, com muita coragem combateu, com risco da própria vida, as exclusões sociais, as perseguições políticas e levou ao mundo sua palavra e sua indignação, tornando-o a figura mais importante do país, no exterior. Por sua atuação foi considerado o mais expressivo nome da igreja católica brasileira. Indicado para o “Prêmio Nobel” mais de uma vez, mas barrado por interferência da Ditadura Militar.
O III volume é “Dilma Rousseff, da Tortura ao Poder”, uma história que precisa ser contada em tributo à primeira mulher a ocupar a presidência da República, cometeu erros e foi punida com o impeachment, mas numa jogada política arquitetada por seus adversários, inclusive seu próprio vice-presidente. Foi uma vítima emblemática da Ditadura, torturada nos porões dos aparatos militares, sofreu as piores agressões e passou anos na cadeia. Com a redemocratização, deu a volta por cima, reconstruiu sua vida e chegou ao mais alto cargo no país.
Pelo perfil de seus três livros e sua posição política, você se considera um escritor de esquerda?
Acho esse negócio de esquerda e direita por aqui é uma piada. A questão não é ser Direita ou Esquerda, os problemas do Brasil não têm tempo para politicagem, precisamos nos unirmos para lutarmos por um Brasil com moradia, emprego e renda para todos os cidadãos. Só que os senhores que estão na Câmara e no Senado, não pensam assim, mas em “emendas Pix” e outras artimanhas para ganhar mais. No Brasil, não há direita nem esquerda, o que existe um grupo político contra um povo de maioria inoperante, intelectualmente falando.
Como é a sua relação com o PT?
Tenho pouca convivência com o PT nacional, conheço alguns dirigentes e converso muito bem com esse pessoal quando estou aqui em Brasília, ou virtualmente. O PT em Alagoas não gosta de mim e os motivos estão claros, seus dirigentes se mostram irresponsáveis (a exemplo da farra com o dinheiro do Fundo Eleitoral) e eu faço críticas sistemáticas e duras. Um bando de picaretas.
Como você vê o cenário político local para 2026
Confesso que não me interesso muito pela política local. Acompanho, por “dever de ofício”. Vê-se o prenúncio de duas forças antagônicas (ou não) que vão se digladiar e jogar para o povo os podres de cada um. O prefeito de Maceió vai comandar uma frente e o ministro Renan Calheiros outra e vencendo um ou outro nada teremos de novo na política alagoana, continuam os mesmos dos mesmos. Localmente não tenho relação, nem de amizade, ou de qualquer outro tipo com o governador Paulo Dantas ou com o prefeito JHC, tenho respeito institucional com ambos e isso é muito bom, pois não tenho qualquer compromisso os elogiar ou criticar, quando necessário. Por outro lado, é muito possível (já houve o convite) que o segundo semestre de 2026, eu esteja fixado em Brasília, onde já permaneço um bom tempo hoje, em campanha para o Senado, do hoje governador Ibaneis Rocha.







