Rodovia para a Barra de São Miguel: do Céu ao Inferno em Poucos Quilômetros
A estrada que liga Maceió à Barra de São Miguel é, sem dúvidas, uma das mais importantes vias turísticas do estado de Alagoas. Mais do que um simples trecho rodoviário, ela cumpre função estratégica: conecta a capital aos principais polos gastronômicos e balneares da região metropolitana sul.
Nos finais de semana e feriados, dia e noite, o fluxo de veículos é intenso, pois ela dá acesso à famosa Massagueira, onde os canais das lagoas Mundaú e Manguaba que acolhem bares e restaurantes e formam um dos maiores polos de gastronomia do estado.
Também conduz os visitantes à Barra Nova, ao Saco de Pedras, ao passeio das 11 Ilhas, ao Francês, ao centro histórico de Marechal Deodoro e, finalmente, à espetacular Barra de São Miguel, um dos cartões-postais de Alagoas.
Um Retrato de Contrastes
A viagem começa com bons sinais: todo o trecho em pista duplicada dá sinais de contemporaneidade administrativa mas, apenas entre Maceió e Massagueira apresenta uma pista bem conservada, iluminada e sinalizada, criando um sentimento de segurança e orgulho para o cidadão alem de uma ótima primeira impressão para o turista. É o que se espera de um Estado que se pretende competitivo no turismo nacional.
Mas bastam poucos quilômetros a partir de Massagueira para que esse cenário mude drasticamente.
A partir dali, a rodovia revela seu estado de abandono:
•Asfalto deformado, com buracos e desníveis perigosos;
•Sinalização horizontal e vertical ausente comprometendo a navegação noturna;
•Falta total de iluminação pública, transformando o caminho em um corredor escuro e de risco elevado;
Esse contraste entre os dois trechos da mesma via transforma a experiência do usuário de um “céu rodoviário” para um verdadeiro inferno de incertezas e perigos.
Uma Tragédia Anunciada
Com o tráfego denso, velocidade elevada e ausência de infraestrutura mínima no segundo trecho, o risco de acidentes graves é altíssimo.
Trata-se de uma tragédia anunciada — e silenciosamente tolerada. A cada dia que passa sem providência, aumenta a probabilidade de vidas serem perdidas em nome da negligência.
É impossível não suspeitar que, com a proximidade de novas eleições, algum tipo de sinalização, obra emergencial ou promessa venha a aparecer.
Mas a segurança viária não pode ser tratada como moeda política.
A estrada deve ser pensada como parte de um sistema de mobilidade para o turismo, a economia local e, principalmente, para a preservação da vida.
Conclusão
A estrada que leva à Barra de São Miguel deveria ser símbolo do potencial turístico de Alagoas — e não retrato da omissão.
É urgente que o poder público estadual e os órgãos de infraestrutura rodoviária assumam sua responsabilidade e promovam a requalificação completa do trecho Massagueira–Barra de São Miguel, com os ajustes na faixa de rolamento, sinalização e iluminação adequadas.
Enquanto isso não acontece, seguimos nos perguntando: até quando o inferno rodoviário será a porta de entrada para o paraíso litorâneo de Alagoas?
RUI GUERRA
Analista colaborador do Resumo Política
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