Tudo tem um limite. Tudo.
Pode ser um vaso, que suporta a água até um certo ponto, depois transborda. Pode ser uma represa, que segura milhões de toneladas de água, mas precisa de válvulas, de comportas, de alívio. Ou pode ser uma caldeira, onde o vapor gira turbinas, aquece cidades — mas, se faltar a válvula de escape, explode. Sempre explode.
A natureza não negocia com a pressão. Ela simplesmente responde. E, curiosamente, o ser humano não é diferente.
Pressão é algo que sentimos sem ver. E, muitas vezes, fingimos que ela não está lá. Vamos acumulando. Uma cobrança aqui. Uma responsabilidade acolá. Uma conta que não fecha. Um problema no trabalho. Uma dor que não é dita. Uma mágoa engolida. E mais outra. E mais uma.
A gente vai apertando, encaixando, segurando. Vai dizendo para si mesmo: “Eu aguento.” Vai prometendo que é só mais um dia, só mais essa semana, só até passar isso.
Até que não passa.
A diferença entre quem quebra e quem segue não está no quanto suporta, mas em como alivia. Quem aprende a abrir suas próprias válvulas — uma conversa sincera, um momento de descanso, um mergulho no silêncio, um abraço sem pressa — permite que a pressão se dissolva antes que vire tragédia.
Mas quem acha que ser forte é aguentar tudo, guarda o vapor. E o vapor é traiçoeiro. Ele não some. Ele cresce. Silencioso. Invisível. Até que a estrutura não suporta mais. E então vem o colapso: o grito, a discussão, a doença, a desistência, o vazio.
As máquinas ensinam. Toda caldeira tem escape. Todo sistema de alta pressão tem respiro. Toda represa tem vertedouro. Não é fraqueza. É inteligência. É projeto de sobrevivência.
A vida também deveria ser assim. Com espaço para aliviar. Para não se exigir além da conta. Para não se obrigar a segurar o mundo quando ele, claramente, não cabe nos braços de ninguém.
No fundo, viver é aprender esse equilíbrio invisível: saber até onde podemos apertar — e, sobretudo, saber a hora de soltar.
Analista colaborador do Resumo Política







