Se existe uma lei no universo que nunca falha, é essa:
Tudo, absolutamente tudo, tende à desordem.
A física chama isso de entropia.
É o jeito científico de dizer que manter a ordem custa caro — e que o natural é o caos.
Basta olhar em volta.
Se você não arrumar sua casa, ela se bagunça.
Se não cuidar do jardim, ele vira mato.
Se não ajeitar os pensamentos, eles se espalham feito vento.
Se não alimentar os afetos, eles murcham.
Se não nutrir a saúde, o corpo adoece.
Se não cuidar dos próprios sonhos, eles desbotam.
A entropia governa tudo.
Ela não tem pressa, mas é incansável.
Age no silêncio, no esquecimento, no abandono. Vai corroendo, desfazendo, desmanchando as estruturas — das coisas, das relações, da vida.
E o curioso é que, mesmo sabendo disso, muita gente se surpreende quando tudo começa a desandar.
“O casamento não é mais o mesmo.”
“O emprego ficou insuportável.”
“Os amigos se afastaram.”
“O corpo não responde como antes.”
“Eu não sei mais quem sou.”
Pois é. A entropia estava lá o tempo todo.
Só esperando a sua distração.
Só esperando você acreditar que a vida se mantém sozinha.
Mas a verdade é dura e simples: nada se mantém sozinho.
Amor precisa de cuidado.
Corpo precisa de movimento.
Mente precisa de pausa.
Laços precisam de presença.
E a vida… a vida inteira precisa de manutenção constante.
O universo ensina que o caos é o caminho natural.
A ordem é que é escolha.
É decisão diária.
É esforço consciente.
Por isso, não se espante quando as coisas começam a desmoronar. O espanto deveria ser, na verdade, perceber o quanto demorou. A desordem não é castigo, nem azar. É só o preço de ter esquecido que tudo precisa de zelo. Até você.
A boa notícia?
Diferente dos átomos, nós temos a capacidade de reagir.
De reorganizar.
De começar de novo.
De arrumar o que importa — por dentro e por fora.
Porque, no fim, viver é isso: um combate diário, gentil e persistente, contra a entropia que insiste em transformar tudo em pó.
Analista colaborador do Resumo Política







