Davi Alcolumbre deixou claro que não é Bolsonaro que usa soldador para matar curiosidades — ele corta vigas de pontes quando quer.
O gesto de aprovar por unanimidade um reajuste para servidores da Previdência, sem aviso prévio ao governo, foi a primeira faísca.
A segunda foi ainda mais simbólica: nem ele, nem Hugo Motta — dois dos maiores operadores do Congresso — compareceram à festa de Lula para celebrar a isenção do Imposto de Renda. Por fim derrubou 52 vetos de Lula.
Em Brasília, respostas, ausências e atitudes falam mais do que discursos.
1. O recado: o Senado não é puxadinho do Planalto.
Alcolumbre é, hoje, o maior articulador silencioso da República.
Quando ele se afasta, não é uma pessoa — é um sistema inteiro que se desloca.
E o que ele sinalizou foi cristalino:
“O Senado decide suas prioridades. O governo não comanda mais a pauta. Como lutador marcial, quanto mais forte for a oposição, menos senadores para o peditório no planalto e maior seu poder de enfrentamento quando resolver juntar-se a ela, pra vencer de goleada “!
2. O ajuste da Previdência e a derrubada dos vetos como movimento de força.
A aprovação do reajuste:
•afronta a ala econômica do governo,
•pressiona o orçamento,
•e mostra que o Senado pode entregar benefícios sem consultar o Planalto.
⁃a derrubada dos 52 vetos é uma demonstração de rompimento.
É o típico gesto de quem testa limites.
3. O não comparecimento: ruptura programada.
A ausência na festa do IR mostra que Alcolumbre não deseja dividir palanque com Lula, nem entregar dividendos políticos ao governo.
É uma forma de dizer:
“Se houver vitória fiscal, o mérito não será do Planalto.”
4. Hugo Motta no mesmo movimento.
Motta é o termômetro da Câmara.
Se ele também se distancia, significa que o Planalto perde simultaneamente:
•seu principal contato na Câmara,
•e seu principal negociador no Senado.
Isso não é ruído: é arquitetura.
5. O que vem agora.
A tendência é clara:
•O Congresso deve começar a barrar pautas do Executivo;
•congelar indicações;
•impor suas próprias prioridades;
•e empurrar Lula para uma posição defensiva.
Se o governo não reagir, o próximo passo será o que Brasília mais teme:
um Legislativo comandando a agenda e um Executivo reduzido a espectador.
RUI GUERRA
Analista colaborador do Resumo Política
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