Todos nós nascemos, crescemos e morremos. Na nossa passagem pela vida, temos nossas escolhas. Sermos do bem ou do mal. Faremos curso superior na área que nosso coração pede.
Na infância está nossa base, isto é, teremos pais saudáveis que se encarregam de nossa formação ou seremos jogados no orfanato, pois os perdemos.
No meu caso, tive uma infância feliz, com família normal, estudando em bons colégios, com direito a férias simples, mas muito boas, com o apoio de meus avós maternos. Fui crescendo, veio a adolescência de normalista do Instituto de Educação, formada por professores catedráticos. Não poderia querer mais dos meus 15 aos 20 anos. Tenho boas lembranças da minha juventude.
Casei-me por amor, tive quatro filhos, que foram criados num ambiente saudável, morando em várias cidades, aprendendo a respeitar as leis dos homens e as leis dos céus. Viraram homens e mulheres do bem.
Veio outra fase da minha vida: a profissional. Formada em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco, voltei para Alagoas, casada com quatro filhos. Eles começaram a definir suas vidas: advogada, engenheiro civil, militar e cientista de computação.
Foram casando e saindo de casa. Com 25 anos de casados, eu e meu marido voltamos a ficar sós. Ele, de militar virou engenheiro e eu fui ser sindicalista. Apesar de as verbas não serem muitas, consegui aos poucos organizar o patrimônio dos companheiros: Copamedh (plano de saúde), Clube Legislativo, sede do sindicato, sede da Copamedh. Tudo isso sem ajuda dos patrões, só com auxílio dos companheiros. É o meu maior orgulho!
Fui ficando velha, como diz minha primeira filha. As doenças aparecendo, as forças diminuindo, a vista encolhendo. Os dirigentes começaram a entender que a velha senhora incomodava.
As mentes pequenas pensavam: Como uma velha frágil e doente pode proporcionar tanto aos inativos e ativos? Donde veio tanto dinheiro?
Não sabem eles que a velhinha das Alagoas sempre teve bons amigos em todo o Estado. Governadores, desembargadores, deputados estaduais e federais. Na época boa das Alagoas, ela recorria aos amigos e aumentava o patrimônio dos companheiros. Quem não se lembra de Divaldo Suruagy, Guilherme Palmeira e outros políticos da época? Pois, a idosa tinha acesso a todos eles e deles recebia ajuda.
O Clube Legislativo fica na área nobre de Maceió e foi construído com imposto sindical. A Copamedh não sobreviveu, mas ela ajudou a servidores humildes a serem tratados na Santa Casa de Misericórdia de Maceió. Chorando, cheguei ao hospital para visitar um contínuo que lá estava.
Todas essas lutas foram acompanhadas por companheiros e dirigentes.
Mas a velhice chegou e a coitada da idosa começou a sofrer. Vieram pessoas de fora e começaram a maltratar a pobre velha.
Pensava ela ter cumprido sua missão e passaria a descansar. Coitada da inocente: sofre injustiças, perseguições, despachos errados e falsos. As doenças se agravaram e a pobre mulher de 85 anos está sendo castigada pelo bem que fez a ativos e inativos de sua velha Casa.
Amigos tentam ajudar e não conseguem. Outros têm medo até de telefonar para a velha amiga.
Como Deus é pai, a velhinha das Alagoas é feliz com sua família. Vive bem, arrodeada de filhos, netos e bisnetos.
O fim de vida está sendo tumultuado, mas ela segura nas mãos de Deus, pede proteção a seu filho João e reza pelos algozes.
Deus existe.
Não duvidem.
Alari Romariz Torres
É aposentada da Assembleia Legislativa
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