Os jovens ficam fora

As estatísticas revelam que, nos últimos dez anos, cresceu consideravelmente o desinteresse dos jovens entre 16 e 26 anos pela política. A descrença nas instituições, a falta de confiança nos representantes públicos e os sucessivos escândalos de corrupção ajudam a explicar esse afastamento.
Os partidos políticos, por sua vez, pouco ou nada fizeram para promover uma renovação verdadeira. Continuam controlados pelos mesmos grupos, repetindo velhas práticas e oferecendo aos jovens apenas espaços decorativos, sem voz, influência ou participação efetiva nas decisões.
Depois, os mesmos partidos se surpreendem com a abstenção, o voto nulo e a indiferença. Os jovens não abandonaram a política por acaso. Foram afastados por um sistema que envelheceu, fechou as portas para a renovação e perdeu a capacidade de inspirar confiança.
Davi Davino não é “azarão”

Tratar Davi Davino como “azarão” na disputa pelo Senado pode ser um erro de avaliação. Em uma eleição com grande número de indecisos, ele entra no jogo com potencial de crescimento e capacidade para se tornar competitivo.
Na capital, onde construiu parte importante de sua base política, poderá figurar entre os mais votados. E, se contar com o apoio efetivo de JHC na disputa pelo Governo de Alagoas, ganhará estrutura, visibilidade e força eleitoral para enfrentar em igualdade de condições os velhos donos dos votos.
Davi não deve ser visto como figurante. Dependendo das alianças e do comportamento do eleitorado, pode deixar para trás candidatos que hoje se consideram favoritos apenas pelo peso do sobrenome e pelas antigas estruturas de poder.
Renan pode surpreender

Sempre levantei dúvidas sobre a reeleição do senador Renan Calheiros, especialmente por sua longevidade nas urnas e pela natural tendência de renovação do eleitorado.
Acompanho pouco as pesquisas, até porque não deposito nelas grande confiança. Muitas vezes, seus resultados parecem variar conforme os interesses de quem as encomenda e paga.
Mas viajei recentemente por 14 municípios alagoanos e voltei com uma impressão muito diferente daquela que tinha antes. Pelos sinais que colhi nas ruas, nas conversas e nos ambientes políticos, Renan Calheiros poderá terminar a eleição como o candidato mais votado para o Senado.
Nesse cenário, a segunda vaga seria disputada por Alfredo Gaspar, Arthur Lira, Davi Davino Filho e José Wanderley, nessa ordem de possibilidade, segundo a percepção que formei durante a viagem.
Não se trata de pesquisa científica, mas de sentimento eleitoral. E, muitas vezes, os sintomas das ruas antecipam aquilo que os números demoram a revelar.
A história pode se repetir

Fui testemunha e partícipe de um processo eleitoral traumático em 1986. De um lado, havia organização, candidatos definidos, alianças costuradas e apoios robustos. Do outro, sobravam conflitos internos, indefinições, vaidades e uma disputa de egos que terminou cobrando um preço alto nas urnas.
Quarenta anos depois, o cenário começa a apresentar semelhanças inquietantes. O MDB e seus aliados já estão organizados para a disputa, com nomes, sobrenomes, palanques e estratégias praticamente definidos.
No campo adversário, permanece a candidatura do “eu sozinho” de JHC, cercada por rusgas com Arthur Lira, Alfredo Gaspar e outros aliados apreensivos, sem saber exatamente o que virá, ou sequer se virá.
De pai pra filho

Flávio Bolsonaro começa a repetir o roteiro que marcou a trajetória política do pai: lançar suspeitas sobre as urnas eletrônicas antes mesmo da realização da eleição. Em encontro com diplomatas, o senador e pré-candidato à Presidência defendeu uma presença maior de observadores internacionais no pleito brasileiro e levantou dúvidas sobre a segurança do sistema de votação.
Na tentativa de justificar suas desconfianças, Flávio associou as urnas brasileiras à empresa venezuelana Smartmatic. A informação, no entanto, foi desmentida: a empresa não fabrica nem fornece as urnas utilizadas nas eleições brasileiras. Após a repercussão negativa, o senador tentou suavizar as declarações, afirmando que não pretendia colocar em dúvida o processo eleitoral.







