Presidente reforçou posição do Brasil ante pressão do governo uruguaio por avanço em negociações com a China fora do Mercosul
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta 4ª feira (25.jan.2023) ser “urgente e necessário” que o Mercosul (Mercado Comum do Sul) feche o acordo com a União Europeia. Para ele, a conclusão da negociação entre os dois blocos deve ser prioridade antes de o grupo iniciar conversas com a China. Lula deu a declaração depois de reunir-se com o presidente do Uruguai, Luis Alberto Lacalle Pou, em Montevidéu.
“É urgente e necessário que o Mercosul faça o acordo com a União Europeia. […] Nós vamos intensificar as discussões com a União Europeia e firmar esse acordo para que a gente possa discutir apenas um possível acordo entre China e Mercosul. E eu acho que é possível, declarou.
O governo uruguaio tem ampliado negociações com a China por um acordo de livre comércio independente do bloco sul-americano, movimento visto pelos demais países do bloco como um fator de desestabilização. O Mercosul é formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
Apesar da pressão dos países vizinhos, Lacalle Pou afirmou na 3ª feira (24.jan.2023), durante a 7ª Cúpula da Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos), que irá manter as conversas com os chineses. Segundo o presidente uruguaio, o objetivo de seu país é se abrir para o mundo.
Em seu discurso nesta 4ª feira, Lula disse que os pleitos do governo uruguaio são “mais que justos” e que é preciso discutir a modernização do Mercosul. “Estamos completamente de acordo [em discutir a renovação do Mercosul]. Vamos sentar à mesa para discutir com nossos técnicos, depois nossos ministros e, finalmente, com presidentes para que possamos renovar o que seja necessário renovar”, disse.
ACORDO É ALVO DE CONTROVÉRSIA
A intenção de estabelecer um TLC (Tratado de Livre Comércio) com a China foi anunciada pelo Uruguai em setembro de 2021.
À época, o presidente argentino Alberto Fernández foi enfático ao se mostrar contra o acordo sino-uruguaio. Afirmou que esse tipo de negociação dependeria da aprovação de todos os integrantes do Mercosul e que quem quisesse “abandonar o navio” e firmar acordos individuais deveria fazê-lo fora do bloco.
Criado em 1991, o Mercosul é formado por Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela. Os venezuelanos, entretanto, estão suspensos de todos os direitos e obrigações inerentes à condição de Estado integrante do bloco desde 2017.
REFORMULAÇÃO DA ONU
O presidente brasileiro pediu a colaboração do governo uruguaio para o que chamou de “briga” por uma governança mundial mais representativa.







