Quando nasci em 1941, a mulher já podia votar desde 1932. Mas, ainda existia um longo caminho a percorrer para que ela tivesse seus direitos iguais aos dos homens.
Na minha adolescência só havia três médicas conhecidas: Dra. Vitória, Dra. Eleusa e Dra. Estela. Na Faculdade de Medicina de Alagoas os estudantes em sua maioria eram do sexo masculino. Atualmente podemos contar com vários médicos e algumas médicas. Houve progresso na área de saúde.
Lembro-me de piadas contadas por um colega meu que se formou em engenharia. Em sua turma havia duas mulheres, que ficavam constrangidas com o palavreado masculino. Uma sobrinha minha, engenheira, designada para trabalhar numa plataforma da Petrobrás, em alto mar, contava-me que só havia ela de mulher. O resto era homem!
As Forças Armadas eram compostas por soldados, sargentos e oficiais do sexo masculino. Recentemente, foram aceitas as filhas de Eva, até fora da administração. No ano passado, a primeira classificada em um dos cursos da Academia Militar das Agulhas Negras foi uma mulher. Longe está o momento em que haverá metade homens e metade mulheres.
Poucas advogadas havia no país nos anos 50. No ramo, sobressaíam-se os homens. Hoje, são muitas as advogadas atuantes nesse nosso imenso Brasil.
Um fato interessante: quando pessoas de ambos os sexos prestam concurso público, a maioria aprovada é normalmente mulher. Os filhos de Adão perdem.
Na Igreja Católica o problema é mais sério. As freiras obedecem aos padres, não há bispos, nem papas que sejam mulheres. Fico horrorizada ao ver as freiras, desempenhando papéis secundários, auxiliando os padres nos trabalhos exercidos entre os católicos.
Está em extinção o fato de o homem ser o provedor da família. A independência da esposa está cada dia mais presente e o papel de dona de casa está ficando menor. Elas, as mães de família, trabalham fora de casa, dividem as despesas com o cônjuge e o casamento se transformou numa sociedade administrada por duas pessoas.
Já morei em Vila Militar onde só duas esposas trabalhavam fora de casa. Hoje em dia, a história de que “minha mulher só cuida da casa e dos filhos” não existe mais. Os dois labutam para que os filhos tenham uma vida melhor.
É divertido demais ver os casamentos no Exército. Como trabalham juntos, vez em quando começam a namorar. Já fui testemunha disso.
Motorista de taxi do sexo feminino existe, hoje, em grande número. Gosto de entrar num carro e encontrar uma Geni. Aconteceu comigo dias atrás e rimos, conversamos e ela, a motorista, me contou histórias divertidas.
Dificilmente vemos mulheres em obras de construção civil. Engenheira é mais fácil de encontrar, mas pedreira, eu nunca vi.
Trabalha comigo uma empregada doméstica há 25 anos. Em compensação, empregado doméstico dura muito pouco. Não gosta de receber ordens femininas e prefere realizar serviços escolhidos por ele. Já tive vários!
No serviço público, houve progresso. As mulheres são disputadas e, normalmente, mais competentes. Trabalhei em várias repartições e descobri que é melhor lidar com colegas homens. A competição entre as meninas adultas é mais comum.
Se fizermos um levantamento na política, veremos que há mais Adões do que Evas. Em nossa Assembleia Legislativa são 27 parlamentares, dentre eles, só cinco ou seis mulheres.
A Presidente do Supremo Tribunal Federal é uma mulher, mas dos integrantes da Alta Corte, apenas duas são mulheres.
Sou, entretanto, contra a tal da competição. Podemos caminhar juntos, lutar juntos, sofrer juntos.
O espaço é grande e é muito agradável ver os dois trabalharem lado a lado, e viverem unidos por muitos e muitos anos.
VIVA O 8 DE MARÇO! DIA INTERNACIONAL DA MULHER.
Alari Romariz Torres
É aposentada da Assembleia Legislativa







