Como se fosse uma bomba, explodiu a notícia: Paulinha largou o marido e fugiu com seu “Personal Training”. Por mais de um mês foi o assunto nos salões de beleza, nas fofoqueiras de plantão, vizinhos, amigos e parentes. Como, uma jovem que nem Paulinha, bem educada, religiosa, prendada, teve essa insana atitude? Ninguém se conformava com o fato. Armando, bom marido, não merecia o chifre destampado em sua testa. Entretanto, ele parecia calmo, aceitou a fugida de Paulinha.
O pai de Paulinha, agora aposentado, foi um homem trabalhador, gerenciava uma usina de açúcar. Paulinha, filha única, teve todo carinho da família, estudou no Colégio Madalena Sofia, rígida educação social e religiosa. Como toda jovem da classe média, não teve problemas financeiros em sua educação. Conheceu Armando na Faculdade de Direito, formaram-se juntos, namoraram, casaram. O casamento navegava em águas mansas, em céus de brigadeiro, o único problema, não engravidar, os amigos de Armando zombavam. Entretanto, a falta de filho não impedia do casal se amar, ter respeito e carinho, um pelo outro. Armando do tipo caseiro, nunca prevaricou. Paulinha trabalhava no escritório de advocacia, curtia a vida com o marido, cuidava seu corpo toda noite numa academia de ginástica, aliás, corpo bonito, sensual.
Até que, numa noite apareceu um novo treinador na academia, o sangue de Paulinha ferveu, disparou seu coração ao ver Estevão, bem perto ele fazia as correções dos exercícios, não era bonito, nem feio, tinha uma cara máscula, sensual, ossos do rosto sobressaídos. Estevão passou algum tempo corrigindo falhas de posturas, quando tocava seu corpo dava uma sensação de volúpia em nossa amiga. Paulinha saia meio trêmula da ginástica. Durante a noite sonhou correndo na esteira, de repente apareceu por trás um cavalo com cara de homem e a agarrou. Acordou-se molhada. Acontece que, Estevão, também ficou impressionado com Paulinha, fazia força para tirá-la do pensamento ao lembrar a aliança no dedo. Certa noite na academia foi animada para os dois, conversaram bastante. Assim se passaram os dias. Paulinha pensava em Estevão e vice-versa. Até que, numa noite, depois de um banho na academia, ao entrar no carro num local afastado, Paulinha ouviu por trás de seu ouvido, “-Me dá uma carona”? Ela se assustou e sorriu, Estevão entrou no carro estacionado em local ermo, se abraçaram, se beijaram, ali mesmo fizeram amor.
– Que loucura, que loucura, eu amo meu marido! Mas quero você, quero você, seu filho de uma puta!
Gritava Paulinha enquanto beijava e abraçava o novo amor.
Passaram mais dois meses, até que Paulinha resolveu contar tudo a Armando, dor na consciência. Ele teve a reação esperada, quebrou o que havia na sala, feriu a perna ao dar um pontapé na televisão. Passaram o fim de semana discutindo, ela enfática, reafirmava que lhe amava, entretanto, não podia viver sem Estevão.
Na segunda-feira Paulinha resolveu sair de casa, foi morar no apartamento do treinador. Armando aceitou a separação. O tempo é o senhor da razão, já dizia o Presidente, e da conformação, entretanto, a gostosa Paulinha nunca deixou de encontrar-se com o ex-marido, na verdade ela realmente amava os dois. Nutria o amor bem comportado de seu amado de juventude, seu marido.
Dois anos se passaram, com muita habilidade Paulinha aproximou Armando de Estevão, se deram bem, hoje bebem juntos uma cervejinha na praia. Porém Armando continuou a morar sozinho em seu apartamento.
Em história de amor tudo pode acontecer, as más línguas afirmam convictas que Estevão, um bom coração, permite a mulher se encontra com Armando no seu apartamento para uma rodada de amor. Paulinha barbarizou, bigamizou, tem dois maridos.





