PARA REFLETIR
“Nada mais cretino e mais cretinizante do que a paixão política. É a única paixão sem grandeza, a única que é capaz de imbecilizar o homem”. (Nelson Rodrigues)
O golpe de Arthur Lira

Disse em recentemente que “Arthur Lira, só pensa em Arthur Lira” e nós alagoanos o conhecemos bem. Na política venceu por sua astúcia e enorme capacidade de articulação. Nasceu politicamente pelas mãos do pai, ex-senador e hoje prefeito da Barra de São Miguel (AL), Benedito de Lira, ganhou espaço próprio e hoje é o segundo na ordem sucessória da república, como presidente da Câmara dos Deputados, embora impedido de exercer o cargo de chefe da nação , por ser réu no Supremo Tribunal Federal, acusado de crime de corrupção( coisas da vida pública brasileira), além de processado por sua ex-mulher, por violência doméstica ( lei Maria da Penha). Conquistou a principal liderança do Centrão, que o presidente Jair Bolsonaro “alugou” a preço superfaturado, para lhe dar sustentação no legislativo.
O alagoano Arthur Lira tornou-se tão poderoso, que se acha capaz de dar um “golpe branco” para mudar o sistema de governo no país, propondo um esdruxulo e equivocado modelo a ser gestado por uma Emenda Constitucional, atropelando a própria Constituição Federal.
Ele quer, na verdade, criar um falso parlamentarismo, até porque o Brasil já adota um semipresidencialismo desde a promulgação da Constituição de 1988, quando conferiu atribuições ao Executivo e Legislativo que são típicas do parlamentarismo A Constituição ainda dá poderes ao presidente para editar medidas provisórias, com força de lei e outras matériaseu podem ser modificadas pelo Parlamento.
A atuação do presidente se assemelha a de um primeiro ministro, tendo que se entender com o Congresso desde o inicio do seu mandato, até o final, na busca de manter uma maioria que lhe garantirá a governabilidade. Temos aqui um presidencialismo de coalizão, que nada mais é que o semipresidencialismo.
O quer Dom Arthur?
Poder, mais poder, é o que busca o presidente da Câmara dos Deputados, com o Executivo ainda mais refém do que se verifica hoje. Lira e sua turma buscam, claramente, dificultar a vida do próximo presidente e já apostam que será Luís Inácio Lula da Silva, pode ter certeza. Com a adoção de um novo sistema o famigerado Centrão ganharia ainda maiores poderes, inclusive o de indicar o primeiro ministro.
Desde o início do ano Arthur Lira já assume os ares de primeiro ministro informal, impondo ao presidente Bolsonaro uma agenda retrograda, conservadora e cheia de suspeições.
Fico com a opinião do articulista Kennedy Alencar que pontua em sua coluna: “O desejo de Arthur Lira é dar um golpe parecido com o de 2016, quando Dilma foi derrubada com um impeachment, sem crime de responsabilidade. Seria um golpe “limpinho” com essa conversa fiada que valeria para 2026.



