NÃO GENERALIZEM…
Alari Romariz Torres

Vivemos numa época de desrespeito. As autoridades constituídas são xingadas de toda maneira. Vi um retrato adulterado do Presidente da República de tão baixo nível que me chocou. As Forças Armadas estão na lista de xingamentos. Nem o Papa Francisco escapa!
Um amigo publicou nas redes sociais que todo militar era burro! Espantei-me e respondi que meu marido e meu filho eram militares e não eram burros.
As Forças Armadas são formadas por seres humanos, portanto, falíveis. Há erros entre eles, como há entre os civis. Mas, para você entrar no Exército como cadete, passa por rigoroso exame e rapazes do país inteiro, se aprovados, vão para a Academia Militar das Agulhas Negras. A partir daí todos têm que estudar muito até chegar a Coronel. Nos vários cursos que fazem, tudo depende da classificação, até o lugar onde vão morar.
Existe no Exército o lado político. Para chegar a General, nem sempre vão os melhores ou os primeiros. Acompanhei o caso de um oficial alagoano, que sempre foi o primeiro colocado em todos os cursos que fez. Na hora de sair General foi preterido. Promoveram o segundo colocado. Uma verdadeira injustiça com um cara brilhante.
Na hora de comandar, entra também a política. Conheço o caso de um militar que já estava indicado para o quartel de sua terra natal. Só faltava o ato de nomeação ser publicado. De repente, um amigo de um General resolveu tomar o lugar do companheiro. Foi nomeado e assassinado um ano depois.
Como disse e repito, as Forças Armadas são formadas por pessoas que erram e acertam. Guardam nossas fronteiras, moram e trabalham em lugares inóspitos. Tenho uma amiga que teve um filho no Norte do país, num local longe da civilização. O menino foi dado como morto na pedra da enfermaria. Casualmente, alguém viu que ele estava vivo! Sobreviveu, mas com uma séria deficiência. A mãe ainda hoje cuida dele e luta com ele.
Casei em 1963. No ano seguinte, estourou a revolução de 1964. Já existia uma relação com os nomes dos Oficiais do 20º BC, hoje 59º BIMtz, que seriam mortos. Começou então a luta entre direita e esquerda. Muitos companheiros que se diziam contra a revolução, entregaram os amigos do seu lado para não serem presos. Ainda hoje, vejo alguns deles andando nas ruas de Maceió.
Nos 21 anos de revolução aconteceram fatos ruins dos dois lados. Só ouço reclamação da esquerda. Morreram militares, houve sequestros, ataques a quartéis, bancos e embaixadas. Foram anos terríveis para ambos os lados. As mágoas são muitas. O ódio da esquerda é enorme.
Voltei para a Assembleia em 1985 e via pessoas me olhando com raiva e não sabia a razão. Descobri que eram amigos ou parentes de criaturas que se diziam perseguidos pelo governo militar. Superei tudo e venci.
Um fato interessante aconteceu nesse ano: uma velha amiga de minha mãe tinha um filho que foi preso. Disseram a ela que eu o tinha denunciado. Mas, era uma mulher sábia e tinha conhecimento dos fatos que levaram o filho à prisão. No fim de tudo, disse-me ela: “Fique tranquila minha filha, você nem morava aqui; sei o que aconteceu”.
As Forças Armadas são instituições sérias, compostas de homens estudiosos, que lutam por um Brasil melhor. Como em todo lugar, há pessoas do bem e do mal. Vi vários serem expulsos por erros cometidos. Vi também, vitoriosos que confiaram nos estudos.
Durante os trinta anos que convivi com os amigos do Exército, encontrei pessoas maravilhosas, tios do coração de meus filhos, amigos de longas datas que se ajudam mutuamente.
Confiemos nas Forças Armadas. Elas continuarão desempenhando suas atribuições prescritas na Constituição Federal, para o bem de todos nós.
Que Deus nos abençoe e amenize o coração dos que possuem mágoas e tanto ódio. Ele existe. Não duvidem!
* Cronista /Resumo Político
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