Desde criança aprendemos o valor da verdadeira amizade. Na escola, na rua onde moramos começamos a procurar pessoas que nos sejam queridas.
Na família entendemos que pais, irmãos e irmãs devem ser criaturas que nos amam e nos protegem. Depois de adultos, começamos a ver as pessoas de maneira diferente. Nem sempre os irmãos de sangue são nossos amigos. Alguns se afastam e não procuram conhecer a realidade dos fatos.
Tenho um exemplo gritante no seio familiar: na doença, eu era a irmã que chegava primeiro. De repente fui afastada sem ao menos entender. São anos de ausência silenciosa. Parece até que tenho uma doença contagiosa. Tudo nas mãos de Deus!
O mais fácil que existe é o amigo de festa e o de político que está numa boa posição. Quando a criatura cai os falsos amigos desaparecem.
Tenho visto na internet campanhas políticas de velhos conhecidos. É muita gente cantando, pulando. Se o moço perder a eleição, só ficam as dívidas. Os bajuladores pulam fora. O pior é que o próprio candidato se deixa enganar.
Semelhante aos falsos amigos são os políticos. Quando estão de cima quase não aparecem em público, não recebem ninguém. Mudam nos anos de eleição. Beijam e abraçam os pobres eleitores.
Quem conhece o amigo que o visita e ajuda na época triste da sua vida? Vai visitá-lo no hospital e vai ao seu enterro? Está sempre presente nas horas difíceis?
Recentemente, tive um sério problema na Assembleia Legislativa. Cortaram meu salário e fui expulsa da sala do Procurador. Poucos amigos tentaram me ajudar. Outros sumiram, nem telefonam. Todos temem o Presidente. É um homem vingativo, dizem eles.
Lembro-me do meu tempo de sindicalista. Era Presidente do Legislativo, um deputado agressivo e metido a valente. Nunca tive medo dele. Sempre conversamos e resolvi vários problemas. Apesar de ser bravo tinha por mim um certo respeito e me recebia sempre. Nunca me expulsou de sua sala.
Como Presidente do Sindicato conseguia ajudar vários amigos; uns porque estavam doentes, outros porque foram rebaixados injustamente.
Nunca deixei de procurar meus direitos ou de corrigir algo nos salários dos companheiros. Nada me amedrontava. Sempre tive sede de justiça.
Na época em que ficamos sete meses sem receber salário, o Velho Sindicato vivia cheio de gente procurando ajuda. Atendia todos e procurava socorrê-los na medida do possível. Vez em quando encontro pessoas que me agradecem.
Hoje que sou uma pobre velhinha doente com 85 anos não consigo falar com o Presidente da Assembleia. Fui conversar com o Primeiro Secretário que me disse triste: É difícil, ele, o Procurador, é pessoa do Presidente! E nada fez!
Tenho vários amigos verdadeiros: meu marido, meus filhos e uns poucos fora da família cujos nomes não vou citar para não cometer injustiças. Direi o nome de só um que foi Presidente do Velho Sindicato quando eu era Vice: Luciano Aguiar, que ainda hoje é meu amigo. Aos outros um beijo no coração.
Enfim queridos leitores pensem bem: vocês têm amigos de festa ou amigos verdadeiros? Respondam com calma.
A maioria dos políticos não são amigos verdadeiros. Os que só procuram você nas épocas boas, também não são leais!
Cultive as pessoas boas que estão perto de você e mande para bem longe os falsos.
Sabe quem é o seu melhor amigo?
Deus. Ele existe, não duvidem!
Alari Romariz Torres
É aposentada da Assembleia Legislativa
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