Sempre que alguém me pergunta de qual filho, neto ou bisneto gosto mais, costumo responder: o da bola da vez.
Existe um que está sofrendo com algo que lhe fez mal, ou está preocupado com um exame a que vai se submeter, ou está doente e precisa de orações. Aí então, todas as atenções de pais e irmãos se voltam para ele.
Em 2021 e 2022, descobrimos que um dos nossos filhos estava bem doente. Nossas preocupações giraram em torno dele, até que Deus o levou.
Muitas vezes uma filha liga pedindo que acenda uma vela ou reze por ela. É sinal de que precisa de ajuda. E a velha mãe fica pensando nela.
Coração de mãe é terra onde poucos andam; só ela sabe o que sente. Uma velha senhora da família tinha um filho complicado. Os mais novos perguntavam: “A senhora gosta mais do Paulino?” “Não”, dizia ela: “Ele é o mais precisado.”
Vejo hoje, filhos e netos explorando seus idosos. Muitos deles ficam com a aposentadoria dos coitados e ainda os tratam com grosseria. Pergunto sempre aos mais velhos porque se deixam enganar pelos mais novos. E a resposta vem bem forte: “Eu preciso de pouco para viver.”
Uma mãe angustiada fazia de tudo para tirar o filho de um vício poderoso: chorava, pedia, implorava. Em determinado momento disse a outro filho: “Vou desistir! Não consigo.” E o rapaz replicou: “Não desista, querida, a voz de uma mãe atinge a alma do cidadão.”
Quando um filho adoece, a mãe sofre com ele. Já viajei cinco horas de carro para socorrer uma filha recém-casada que estava com catapora. Trouxe-a para minha casa e deixei-a curada.
Convivo, atualmente, com mães que se encontram com filhas em rigoroso tratamento. Sinto uma dor semelhante à delas e tento amenizar o coração das amigas que sofrem com seus rebentos. Rezamos juntas!
Minha mãe tinha certa preferência por meu irmão mais velho. Eu, como segunda, não entendia o porquê de tanta amizade. Agora, já idosa, compreendo que ele dava mais trabalho e ela tentava defendê-lo.
Minhas filhas brincam comigo, porque acham que eu gosto mais do filho mais velho. Tento explicar que ele saiu de casa muito cedo, foi morar longe e eu o vejo muito pouco. Começam a rir e insistem na mesma tecla. Nada posso fazer!
Um fato interessante ocorre nas famílias: o filho casa e se aproxima mais da família da esposa. Já a filha mulher pende para o lado da mãe. Para os mais velhos só resta tentar aproximar as duas famílias para não perder o filho. Caso não consigam, devem exigir respeito e fazer com que o filho casado não se afaste tanto dos pais. Eu tento conversar e mostrar a realidade. Nem sempre consigo!
Hoje, vivemos uma nova realidade: Um filho foi para o céu! Deixou viúva e três filhos. Nós, pais do filho que se foi, tentamos não perder o vínculo, estar sempre juntos. Rezamos para que eles pensem da mesma maneira e não se afastem de nós.
Conforme todos podem ver, criar filhos não é nada fácil. Eles nascem, crescem, vão embora e tudo fica diferente. Quem tem um companheiro estável, sofre menos, porque quando o ninho fica vazio, os dois idosos se completam.
Já ouvi de um filho: “Mãe, já saí de casa há mais de vinte anos!” E eu, zangada, respondi: “Mas, não deixou de ser meu filho.”
Estou na fase dos bisnetos. Tento não perder o contato com todos eles, ajudar os que precisam, visitá-los quando posso. Às vezes, fico triste por não ser convidada à casa dos filhos em determinados momentos. A filha diz: “Mãe, não passe recibo. A senhora não precisa disso!”
Chego à conclusão de que os idosos vivem de lembranças, sonhos, de tudo que fizeram em toda sua vida. Os descendentes nem sempre reconhecem, mas, como sou velha teimosa, insisto em reativar a cabeça de todos eles.
Acho que hoje, eu e meu marido viramos filhos e somos a bola da vez.
Deus conosco!
Alari Romariz Torres
É aposentada da Assembleia Legislativa







