PAI BOM, PAI RUIM
Alari Romariz Torres *
Chegou o mês de agosto e com ele o Dia dos Pais.
Sempre insisto na tecla de que nós, humanos, somos falíveis. Nem todos somos pessoas boas. Os pais não escapam à regra. Nesses muitos anos acompanho as histórias de amigos e conhecidos.
Certo político, criado no interior do Estado tem a fama de ter mais de vinte filhos. Curiosa, encontrei-me com ele e perguntei: Quantos filhos você tem? Ele, gaiato, respondeu: “Tinha vinte e um. Acabou de morrer um. Tenho vinte filhos”. Claro, evidente, não pode ser um bom pai. Como dar assistência a tantos rebentos? Seu contracheque não consegue descontar tantas pensões.
Em Alagoas dos anos 50 era comum os homens terem duas famílias e ambas com vários filhos. Cada um morava num bairro e os meninos e meninas estudavam em colégios diferentes. Não entendo como os valentes pais administravam duas casas. Se eram bons pais, não tenho tanta certeza.
Conheço um caso de um homem que teve quatro mulheres e onze filhos. Complicação pura! Mas Deus é tão bom que ele morreu assistido por eles.
Nós, eu e meus irmãos, tivemos um pai muito bom. Moço pobre, filho de um poeta penedense falecido cedo e de uma dona de casa ajudada pelas irmãs, operárias de fábrica; Meu pai e seu irmão José, cresceram num lar humilde, estudando de favor numa escola de Penedo. Ambos, bons pais, tiveram oito filhos, que sobreviveram bem às intempéries da vida.
Um bom pai vislumbra a proteção dos filhos. Conheci um, que com apenas o curso primário, chegou por concurso, a ser Auditor Fiscal do INSS. Homem de visão, deixou para a filha mais nova uma gorda pensão, desde 1980. Nesse tempo, a feliz herdeira já recebeu de atrasados na Justiça mais de dois milhões de reais. O que vem com pouco esforço, endurece o coração da rica herdeira. Tanto dinheiro herdado a faz desconhecer a existência dos outros irmãos. Como pode um homem simples deixar tanto legado? Dedicação aos estudos!
Vejo exemplo de homens que, separados das mulheres, conseguiram criar seus filhos. Não sou machista, mas para um homem só é difícil administrar uma casa com crianças, mas não é impossível. Tenho visto filmes lindos, onde predominam histórias de pais heróis.
Meus filhos tiveram sorte com o pai: militar, rigoroso, mas dono de um enorme coração. Desde o início do casamento, dedicou-se inteiramente à família. Hoje, curtindo o fim de vida no seu paraíso paripueirense, sorri com as peripécias de quatro filhos, onze netos e uma bisneta.
Um jogador de futebol famoso se negou a reconhecer uma filha, adulta, que o procurou. Pois bem, a filha morreu de câncer e ele sobrevive doente, graças à competência de médicos paulistas.
Vejo, insistentemente pelas ruas da cidade, jovens de treze, quatorze anos, com um filho nos braços. Nunca vejo o pai acompanhando a mãe. E questiono: Onde anda o pai da criança?
No Brasil, a grande maioria dos jovens brinca de casinha de boneca sem imaginar a gravidade de colocar uma criança no mundo e não poder criá-la. Resultado: as mães deixam de estudar, não podem trabalhar e são inexperientes na educação dos filhos.
Trabalhava para nós um pintor de parede, competente ao extremo, com a boca cheia de dentes de ouro. Certa vez perguntei quantos filhos ele tinha e então me disse: “Mais de dez”. Insisti, perguntando como ele criava tantos rebentos. Respondeu: “Não sou eu. São as mães. Eu só faço os filhos”.
Chegamos à triste conclusão: Ser pai, não dá ao homem o direito de ser bom e criar os filhos. Implica em responsabilidade. Alguns filhos têm a sorte de contar com os pais e outros são jogados na vida de qualquer maneira.
Quero prestar homenagem ao meu pai, João Romariz, homem pobre, inteligente, e, acima de tudo, humilde.
Deus abençoe os pais do Brasil!
Ele existe. Não duvidem!
* É aposentada da Assembléia Legislativa.







