A nossa breve ou longa passagem pela terra chama-se vida. É um longo caminho cheio de altos e baixos. Precisamos ter sorte ao escolher amigos e o companheiro ou companheira que ficará conosco até a hora da morte.
A infância é um período do início da nossa passagem. Nem todos são felizes quando pequeninos. No meu caso, foi uma fase maravilhosa. Nasci em Jaraguá e lá vivi até os nove anos, pertinho do mar. Depois fui para o Farol, bairro arborizado, de clima ameno, na parte alta da cidade.
Fui morar no centro da cidade com dezesseis anos e já tinha namorado fixo. Aluna do Instituto de Educação, com muito orgulho, fui levando a vida, alegre e feliz até os vinte e um anos, quando casei.
Houve uma mudança radical em minha vida quando comecei a ter filhos. Não existe sensação melhor para uma mulher do que ter um filho ou uma filha e eu tive quatro. Daí em diante, a mãe passa a pensar na responsabilidade que assume ao colocar novas criaturas no mundo.
E lá vem uma nova vida: trabalho, casa, filhos e marido. Tudo muito difícil e o tempo era cada vez mais curto. Naquela época, a mulher assumia a escola dos filhos e as outras obrigações que surgiam: inglês, natação, judô.
Moramos em vários Estados por conta da profissão do pai das crianças e sofremos um pouco com a adaptação em lugares diferentes, mas a educação dos filhos era prioridade na vida dos dois nordestinos.
As crianças foram crescendo, terminando o ensino médio, entrando no nível superior. As meninas eram mais estudiosas, os meninos, apesar de serem inteligentes, davam mais trabalho para cumprir as tarefas da escola. Certa vez, fui chamada ao colégio dos rapazes. E a Coordenadora me disse: “O QI de seu filho é o maior da sala, ele deveria tirar notas altas, mas está dentro dos que tiram seis ou sete. O que acontece?” E eu respondi: Ele é inteligente, mas,não é estudioso”. O garoto fez vestibular com dezesseis anos e passou em Engenharia para a Universidade Federal de Pernambuco.
Entre altos e baixos, o casal já com mais de setenta anos, sofreu uma dor enorme: Perdeu o filho João. Só Deus conseguiu amenizar a dor dos dois idosos! Entretanto, juntos, vão suportando a ausência do filho.
Em março deste ano, os oitentões fizeram sessenta anos de casados. Cheios de doenças, acompanhados por vários médicos, mas lúcidos, continuam juntos, administrando os bons e maus momentos da vida. Claro que os filhos são cuidadosos. As meninas, já com mais de cinquenta anos, ligam todos os dias, correm para junto dos pais quando as doenças preocupam. O menino, com 58 anos, liga menos, mas não deixa de nos visitar duas ou três vezes ao ano. São atenciosos e vigilantes. Todos moram fora de Alagoas.
Hoje somos cinco na pequena família e sofremos muito com a ausência do sexto, nosso querido João. A grande família é composta além dos três filhos, de um genro, duas noras, onze netos, quatro bisnetos.
A velhice tem uma grande vantagem: concede aos idosos a maturidade. Eles passam a ver a vida e as pessoas de maneira diferente. Fatos que os deixavam irritados, são devidamente ignorados. O importante é o respeito que foi implantado no seio da família. O amor vem com o tempo e uns são mais apegados aos velhinhos, outros nem tanto.
Recentemente, acordei com meu marido alisando meus cabelos e dizendo: “Você é minha parceira de toda vida”. Adorei o elogio e passei a meditar na nossa felicidade nesses sessenta anos.
Claro que houve momentos difíceis, dores, sofrimentos, mas, superamos quase tudo. E lembro sempre das palavras da minha sogra: “Eu me preocupava muito com Rubião. Era o mais levado de meus filhos. Hoje estou tranquila, pois Alari cuida muito bem dele”. Que Deus a tenha em bom lugar.
Quero passar para meus leitores a minha alegria pelo reconhecimento do meu parceiro e retribuo com o coração em festa:
A RECÍPROCA É VERDADEIRA!
Alari Romariz Torres
É aposentada da Assembleia Legislativa







