A política que envergonha

Tive a oportunidade de assistir esta semana ao embate de baixíssimo nível entre a senadora Eudócia Caldas e o senador Renan Calheiros durante uma reunião da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, presidida pelo próprio Renan. O que deveria ser um espaço de debate qualificado sobre temas relevantes para o país transformou-se em um espetáculo lamentável de acusações pessoais. Em meio ao verdadeiro tiroteio verbal, palavras como “ladrão”, “bandido” e “corrupto” foram lançadas de um lado para outro. Acusações graves, incompatíveis com o ambiente institucional que deveria servir de exemplo para a sociedade. Em vez de argumentos, ofensas. Em vez de propostas, ataques. Em vez de discussão de ideias, a velha e desgastada política da agressão.
O episódio não envergonha apenas os protagonistas. Alagoas merece mais. O Brasil merece mais. E a política também.
Quem planta colhe

O senador e ex-ministro Renan Filho segue em ritmo intenso de articulação política com vistas às próximas eleições estaduais. Após duas passagens pelo governo de Alagoas, sua gestão é frequentemente lembrada por aliados e admiradores como um período de importantes investimentos em infraestrutura, mobilidade e modernização da máquina pública.
A disputa que se desenha não será simples. Os adversários se organizam e o cenário eleitoral ainda está longe de estar definido. No entanto, Renan Filho carrega um patrimônio político construído ao longo de anos de atuação administrativa e presença constante nos municípios alagoanos, especialmente no interior do Estado, onde mantém bases eleitorais expressivas.
Marx Beltrão e a força do mandato

Como parlamentar dos mais ativos da bancada alagoana na Câmara dos Deputados, Marx Beltrão caminha para disputar mais uma vez a renovação de seu mandato. O percurso, como toda eleição, não será livre de obstáculos, mas os indicadores políticos apontam que o deputado possui bases sólidas para superar as dificuldades que surgirem pelo caminho.
Ao longo dos últimos anos, Marx consolidou presença constante nos municípios alagoanos, destinando recursos, acompanhando obras e mantendo interlocução permanente com prefeitos, vereadores e lideranças comunitárias. Essa atuação tem garantido ao parlamentar um patrimônio político construído muito mais no trabalho de campo do que nos discursos ocasionais de campanha.
Hora de passar o bastão

Nos bastidores da política maceioense, circulam comentários de que o prefeito Rodrigo Cunha estaria incomodado com supostas interferências do ex-prefeito JHC em assuntos que pertencem exclusivamente à esfera de competência da atual administração. Como todo rumor político, o tema deve ser visto com cautela, mas o debate levanta uma questão importante sobre a transição e o exercício do poder.
Rodrigo Cunha tem procurado construir sua trajetória com uma marca própria. Ao longo da vida pública, consolidou a imagem de político sério, equilibrado e comprometido com o interesse público.
Toda liderança que deixa um cargo precisa compreender o momento de passar o bastão. Influência política é uma coisa. Exercício do poder é outra. E quem ocupa a cadeira de prefeito de Maceió hoje não é mais JHC.
A exclusão da mulher

Algo chama a atenção na política alagoana. Embora as mulheres representem mais da metade do eleitorado, sua presença nos principais espaços de poder continua extremamente limitada. A tendência é que a próxima legislatura mantenha uma bancada feminina reduzida na Assembleia Legislativa, repetindo um cenário que se arrasta há décadas.
A história política de Alagoas revela um dado simbólico e preocupante: nunca uma mulher presidiu a Assembleia Legislativa. Também nunca tivemos uma governadora eleita e sequer uma vice-governadora ocupando o posto por escolha das urnas. Em pleno século XXI, o poder continua concentrado quase exclusivamente nas mãos dos homens.
A palavra de Arthur Lira

Com uma carreira política consolidada e marcada por posições de destaque no cenário nacional, Arthur Lira construiu uma reputação que lhe é reconhecida até mesmo por adversários: a palavra empenhada deve ser cumprida. Em tempos de acordos frágeis e compromissos passageiros, essa característica acabou se tornando uma de suas marcas mais conhecidas.
Duas vezes presidente da Câmara dos Deputados, Lira chegou ao topo da política brasileira exercendo uma liderança firme, baseada na capacidade de articulação e no respeito aos compromissos assumidos. Para aliados e interlocutores, um acordo fechado costuma valer mais do que um documento assinado.
Um exemplo que deu certo

Nem sempre as boas notícias da saúde pública recebem o destaque que merecem. Em Coruripe, um trabalho iniciado em 2020 pelos médicos Dr. Maxwell Oliveira e Dr. Ricardo Moura transformou o atendimento de cirurgia do quadril no Hospital Carvalho Beltrão em uma referência para o país.
O que começou como um serviço especializado cresceu de forma consistente e, seis anos depois, reúne sete cirurgiões de quadril, tornando-se o maior, mais experiente e resolutivo serviço da especialidade em Alagoas. Os números impressionam: mais de 4.500 artroplastias totais de quadril realizadas entre procedimentos eletivos e cirurgias de urgência.
O resultado desse esforço vai muito além das estatísticas. Houve redução significativa da fila de espera para cirurgias eletivas pelo SUS, além de maior agilidade no atendimento dos casos urgentes, garantindo qualidade de vida e dignidade a milhares de pacientes.




