A vida que levamos é assustadora. Não sabemos o que acontecerá durante o dia ou na manhã seguinte.
Recentemente, fiz 83 anos. Combinamos fazer uma reunião no Recife, com os familiares de Rubião no dia 5 de março. Para surpresa geral, a mãe de dois sobrinhos faleceu no dia 3. Os planos foram mudados, reunião cancelada e fomos dar adeus à Olguinha.
O dia de meu aniversário se transformou em visita de netos e sobrinhos. Nada de festa, só altos papos e recordações.
Fato idêntico aconteceu quando fiz sessenta anos. Morreu Gleide, minha cunhada e a alegria virou tristeza.
É bom estar preparado para evitar surpresas, mas, o Homem de lá de cima é quem comanda tudo.
Quando Sabino, meu irmão mais velho, foi embora, um sobrinho formou-se em medicina. Durante a cerimônia, recebemos o aviso da morte do irmão. Não sabíamos se ríamos ou chorávamos. Tudo nas mãos de Deus.
Há quase dez anos, passamos onze meses acompanhando a doença de um cunhado querido, hospitalizado no Recife. Toda quinta-feira lhe fazíamos uma visita. De vez em quando perdíamos uma comemoração, mas semanalmente viajávamos para apoiar a cunhada, que ficou com o marido trancada no hospital. Foi um esforço que valeu a pena, para não sermos surpreendidos por um desfecho inesperado.
De outra feita, fomos a Petrolina para uma inauguração do trabalho de uma filha. No primeiro dia de festa, uma irmã doente piorou bastante. Voltamos correndo para ficar ao seu lado e não ser surpreendida com um final desagradável.
Na vida profissional as surpresas são muitas. De repente, recebíamos uma paulada. A Mesa Diretora da Assembleia Legislativa modificava a vida dos pagãos e beneficiava os afilhados. Preenchia o quadro de pessoal do Poder com suas famílias e perseguia os pobres coitados que não tinham padrinhos. As injustiças se sucederam e começaram as ações judiciais. Com tal atitude, os membros da Mesa Diretora ficavam de olho nos companheiros que reclamavam judicialmente.
Por incrível que pareça, no momento atual, dizem os donos da Casa de Tavares Bastos: “Judicializem”! Isso porque descobriram que a Justiça é lenta. Puro contraste sem muita surpresa.
Mesmo aposentada desde o início dos anos 2.000, continuo lutando pelos direitos dos companheiros, acompanhando injustiças, perseguições e apadrinhamentos. As surpresas se sucedem!
Na política, aparecem situações apavorantes. Um Deputado Federal cresce muito e os outros começam a querer derrubá-lo. Ou um Senador do Nordeste chega à Presidência do Senado e os falsos amigos o crucificam.
Ninguém pode viver tranquilo! Aparece sempre uma notícia ruim para assustar os pobres mortais. Tudo isso acontece em família, no trabalho, na política.
Entretanto, o pior é a doença. Quando ela chega, sem aviso prévio, desestrutura a família inteira. Não sei de onde vem esse tal de câncer! É uma loucura. Muito sofrimento! A vítima precisa ser uma pessoa muito forte e os que estão a seu lado devem ter muita fé em Deus.
Fiquemos bem atentos ao despertar diariamente. Esperemos algo de bom, algo de ruim.
É interessante que não se espere recompensa pelo bem feito a alguém. Muitas vezes, o resultado é negativo!
Deus está de olho! Ele existe. Não duvidem.
Alari Romariz Torres
É aposentada da Assembleia Legislativa







