Tem algo de mágico quando a gente olha para a América Latina. Montanhas que tocam o céu, florestas que parecem não ter fim, cidades antigas, povos misturados, histórias marcadas por dor, coragem e sonho. No meio disso tudo, três escritores se tornaram as grandes vozes do nosso continente: Pablo Neruda, Gabriel García Márquez e Mario Vargas Llosa.
Neruda, o chileno, era pura emoção. Escrevia sobre o amor com a mesma força com que escrevia sobre política. Falava das coisas simples — o pão, a cebola, o mar — como se fossem sagradas. Era poeta do povo, do coração. Quando ele dizia “Posso escrever os versos mais tristes esta noite”, era como se falasse por todos nós.
García Márquez, o colombiano, nos deu Macondo, um lugar onde tudo parecia sonho, mas que falava da realidade de um jeito que ninguém tinha feito antes. Misturava fantasia e verdade, e com isso mostrou ao mundo o que era ser latino-americano. Foi com ele que o realismo mágico ganhou forma. Lendo Gabo, a gente entende que viver aqui é um pouco como viver num conto encantado — cheio de beleza, dor e espanto.
Vargas Llosa, do Peru, foi mais direto, mais crítico. Seus livros investigam o poder, os abusos, os conflitos humanos. Ele escreve como quem desmonta uma máquina, para mostrar onde estão os erros. É sério, denso, mas necessário. Suas histórias nos fazem pensar sobre o que somos e o que deixamos acontecer ao nosso redor.
Os três ganharam o Prêmio Nobel de Literatura. Não só porque escreviam bem, mas porque suas palavras representavam algo maior: a alma da América Latina, com todas as suas contradições.
Eles até se encontraram. Foram amigos, brigaram (Gabo levou um soco de Vargas Llosa, inclusive), discordaram em política e estilo. Mas, no fim das contas, cada um falou por nós à sua maneira.
Se fosse para resumir:
Neruda é o coração.
Gabo é o sonho.
Llosa é a razão.
Juntos, ajudaram o mundo a entender um pouco mais da gente.
E mesmo que o tempo passe, que mudem os governos, as modas, as cidades — os livros deles continuam por aí. Lendo um poema, um parágrafo, uma frase… a gente percebe que ainda estamos vivos, ainda temos história, ainda podemos sonhar.
Porque, como disse Neruda, “nós, os de antes, já não somos os mesmos”. Mas a palavra deles ficou. E por isso, seguimos em frente.
Médico e escritor







