Se você bem observar, perceberá que são as Bolsas de Valores que permitem aos empreendedores obter recursos sem juros, sem prazos de pagamento e, muitas vezes, sem contrapartidas além da participação acionária. É essa a função essencial das Bolsas no capitalismo moderno: financiar o crescimento de empresas sérias, sólidas e respeitadas, que buscam capital para expandir, inovar, gerar empregos e fomentar riqueza.
Esse ambiente é, sem dúvida, um dos pilares do desenvolvimento econômico mundial. Empresas como Apple, Microsoft, Petrobras, Itaú, Ambev, Tesla e Vale não teriam atingido o tamanho e a relevância global que possuem hoje sem o acesso ao mercado de capitais.
Só a Bolsa de Nova York (NYSE) movimenta diariamente cerca de US$ 150 bilhões, enquanto a B3, no Brasil, movimenta, em média, R$ 30 bilhões por dia.
O lado virtuoso – O Investidor Produtivo
O investidor é aquele que aplica seus recursos no crescimento de empresas, seja através da compra de ações ou de outros ativos de longo prazo. Seu lucro vem dos dividendos pagos pelas empresas e da valorização das ações ao longo dos anos.
Esse perfil de investidor contribui efetivamente para o desenvolvimento econômico. Ele aposta na geração de riqueza real, no aumento dos lucros corporativos, na expansão de negócios e no fortalecimento da economia.
Exemplos claros desse modelo:
•Quem comprou ações da Apple em 2005, por US$ 1,50 (ajustado por splits), viu esses papéis saltarem para mais de US$ 180 em 2025, sem contar os dividendos.
•O mesmo vale para investidores que aplicaram na Petrobras em ciclos de alta do petróleo ou na Vale, que se beneficia dos superciclos das commodities.
O lado obscuro – O Especulador Profissional
Na outra ponta, estão os especuladores, operadores profissionais que fazem fortuna, não pelo crescimento das empresas, mas pela exploração das flutuações dos preços no mercado financeiro.
Eles dominam técnicas como:
•Venda a descoberto (operar vendido) – vender um ativo que não possuem, apostando na queda, para recomprá-lo mais barato no futuro.
•Alavancagem – operar com dinheiro emprestado, multiplicando ganhos e riscos.
•Uso de derivativos – contratos de opções, futuros e swaps que protegem ou alavancam posições.
Mas, sobretudo, a principal ferramenta desses operadores é o acesso privilegiado à informação, seja através de algoritmos de alta frequência (high frequency trading), seja por leitura antecipada dos movimentos institucionais, análises quantitativas e, muitas vezes, proximidade com agentes do próprio mercado ou do poder.
Dados indicam que:
•Mais de 70% do volume diário das Bolsas nos EUA é feito por robôs e algoritmos de alta frequência.
•No Brasil, esse percentual já ultrapassa 50% na B3, segundo dados da própria bolsa (2024).
Esse mercado, portanto, muitas vezes não reflete a economia real, mas sim uma batalha frenética por ganhos no curtíssimo prazo, baseada em volatilidade, nervosismo e incertezas.
O Elo Fraco – O Amador Desinformado
Entre esses dois mundos – o do investidor produtivo e o do especulador profissional – está o investidor amador, muitas vezes movido por emoção, promessas irreais e pouca educação financeira.
É comum que este perfil entre na Bolsa:
•Na alta, movido por euforia, compra ações no pico dos ciclos, convencido de que “agora vai”.
•E, infelizmente, na baixa, pressionado pelo pânico, venda seus ativos na pior hora, concretizando prejuízos que poderiam ser evitados.
Dados do Credit Suisse e da B3 (2024) indicam que:
•Mais de 70% dos investidores pessoas físicas no Brasil operam com prejuízo nos dois primeiros anos na Bolsa, justamente por falta de estratégia, conhecimento ou paciência.
Ciclos Repetitivos – O Mercado Como Espelho da Psicologia Humana
O ciclo de euforia e pânico, ganância e medo, é um fenômeno psicológico e econômico que se repete há mais de 400 anos, desde a primeira bolha financeira documentada, a Bolha das Tulipas (Holanda, 1637).
Depois dela vieram a bolha do Mar do Sul (1711), o crash de 1929, a bolha da internet (2000), a crise do subprime (2008) e a bolha das criptomoedas (2021).
Todos os eventos obedecem ao mesmo padrão:
1.Otimismo – ativos sobem sustentados por boas perspectivas ou modismos.
2.Euforia – todo mundo quer comprar, gerando altas absurdas e desconectadas da realidade.
3.Estouro – surge um evento (real ou psicológico) que desencadeia a reversão.
4.Pânico – venda generalizada, prejuízos e descrédito no mercado.
Conclusão – O Jogo do Capital e Seus Jogadores
As Bolsas de Valores são um instrumento poderoso para o capitalismo produtivo, aquele que financia inovação, geração de empregos, infraestrutura e desenvolvimento.
Porém, também são terreno fértil para a atuação de especuladores profissionais, que lucram com a própria volatilidade do mercado, independentemente dos fundamentos da economia real.
Entre esses dois mundos, está o cidadão comum, o investidor desinformado, que precisa buscar educação financeira, paciência e uma visão de longo prazo, se quiser participar desse jogo sem ser devorado por ele.
Perfeito. Aqui está o desenvolvimento do texto “1 – Gratuidade do Amor e o Alto Custo do Ódio”, enriquecido com conceitos filosóficos, psicológicos e exemplos da vida real e da história da humanidade.
RUI GUERRA
Analista colaborador do Resumo Política
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