Formado em Engenharia Civil, fui introduzido no mercado para atuar na ponta: no concreto, no aço, no traço exato das fundações que sustentam pontes, estradas, adutoras e cidades. A engenharia, ciência aplicada por excelência, ensinava que cada ação tinha seu resultado mensurável, sua previsão matemática, sua resposta física. Era a prática orientada pela técnica. E assim fui, construindo e dirigindo estatais voltadas à infraestrutura, comprometido com a materialidade das soluções e a entrega visível do progresso.
Mas não demorou para que a linha de montagem do fazer técnico esbarrasse no campo das decisões políticas. Fui convocado — e por vezes compelido — a colaborar na formulação de políticas públicas para os setores em que atuava. E foi aí que surgiu o conflito: como separar o interesse coletivo do privilégio privado? Como distinguir a obra pública da obra conveniente? Impossível avançar sem refletir. A engenharia me ensinou a calcular vigas; a realidade me obrigou a ponderar consequências.
Foi nesse ponto de virada que as reflexões se tornaram não só úteis, mas essenciais. Descobri que nenhuma política pública deve nascer sem uma profunda análise de causa e efeito. E que, diferente das reações químicas que estudamos nos laboratórios, os efeitos de decisões mal pensadas não se limitam a experimentos — atingem vidas inteiras.
Na universidade, fui apresentado aos pilares da ciência: Química, Física, Astronomia. E junto com as fórmulas, vinham os nomes — Newton, Lavoisier, Copérnico, Pasteur, Feynman — os grandes formuladores que ousaram pensar antes de fazer. No curso pré-vestibular, ainda adolescente, tive uma breve incursão pelas Ciências Naturais e pela Biologia, onde nomes como Darwin, Mendel, e Claude Bernard também me despertaram. Cheguei a hesitar entre Geologia e Engenharia. O solo me encantava tanto quanto os alicerces.
Na dúvida, li. Ler virou hábito, depois necessidade. E foi por essa trilha que conheci Noah Gordon, cujos romances como O Físico e O Último Judeu me apresentaram à História, à Medicina e ao espírito de perseverança humana. A literatura revelou que a ciência também pode ser poética — e que o conhecimento pode ser contado como saga.
Chegada a aposentadoria, ganhei algo raro no mundo moderno: tempo. E com ele, a possibilidade de refletir sobre o que vivi, questionei e fiz. Nesse processo, encontrei uma nova ferramenta: a Inteligência Artificial. Rápida, organizada, sem vaidades — uma ponte segura entre a dúvida e a resposta. A IA não apenas me ajudou a esclarecer questões técnicas ou históricas, mas passou a me acompanhar como extensão da curiosidade que nunca me abandonou.
Hoje, percebo que deixei a engenharia aplicada — a ponta da lança — e passei a investigar a causa. Os fundamentos. A origem das perguntas que me acompanharam ao longo da vida. E é nesse mergulho que compreendo, enfim, que o efeito não é o fim. É só um sinal. O verdadeiro destino mora na causa — onde habitam as ideias, os princípios, os valores.
Conclusão:
A técnica me ensinou a construir.
A política me forçou a pensar.
A literatura me ensinou a sentir.
E a inteligência artificial me ajudou a reunir tudo isso em palavras.
Hoje, não busco mais a obra. Busco o motivo.
Analista colaborador do Resumo Política







