Vivemos dezesseis anos de governo do Partido dos Trabalhadores. Houve medidas boas, mas aconteceu muita coisa errada. No fim, o Brasil estava envolvido com escândalos, Lula preso, Dilma afastada, Temer também preso e nos sentimos meio perdidos.
Tornava-se necessário que viesse alguém para mudar o panorama político do país. Apareceu um ex-Capitão do Exército, político há mais de vinte anos, um visionário com novas ideias. Resolvemos apostar na mudança.
Foi para campanha, levou facada, a eleição foi complexa, mas tornou-se Presidente da República. Antes de assumir, começaram as críticas: não houve facada, é maluco, amigos perigosos. Resistiu e tomou posse.
Grande parte da mídia começou a criticá-lo por tudo que fazia e dizia. Não podia defender nada, pois era terrivelmente combatido. Escolheu o Ministério e levou Moro com ele. Ambos vaidosos. Não deu certo.
Fala demais. As entrevistas diárias concedidas todas as manhãs, de improviso, não são boas. Precisa de mais moderação. Critica amigos e inimigos.
Chocante foi a atitude dele com o Mourão: deixou-o de lado, os filhos não gostam do Vice, o Presidente o excluiu de suas reuniões. Esta semana já o vi dizer que seu Vice dará um bom Senador. Pura traição!
Grande parte da classe artística odeia o Bolsonaro e entendo por que. Acabou-se a liberação de altas verbas para a TV e teatro. Longe de mim ser contra o auxílio concedido aos artistas, mas houve excesso de ajuda e alguns não usaram o dinheiro para o fim determinado. Estão sendo processados por uso indevido de verba pública!
A imprensa, com poucas exceções, não dá sossego ao Presidente. A TV Globo é terrível: quando acontece algo de bom, os apresentadores falam com cara de enterro, mas se for notícia ruim, é um carnaval!
Para completar o sofrimento do Bolsonaro veio a Comissão Parlamentar de Inquérito, cujo objeto era fiscalizar as ações do Presidente na pandemia. Está em andamento há mais cinquenta reuniões, fugiu do mérito da questão e já enveredou por outros assuntos. Perdeu-se pelo caminho e quer condenar o ex-Capitão, custe o que custar.
Os filhos do Presidente viraram alvos de investigação por causa das “rachadinhas”. Morro de rir! Em Alagoas, as denúncias desse tipo de negociação são feitas há muito tempo. O Ministério Público Estadual investigou, chamou vários assessores dos Senhores Deputados, que lá foram com advogados da Assembleia e ficaram em silêncio. No Brasil quase todo, existem “rachadinhas”, noticiadas na TV. Seria ótimo que fosse apurado o caso nos Poderes da República. Haveria surpresas!
As estradas feitas pelo Governo Federal e as concluídas por ele não aparecem na mídia; se noticiadas não recebem o devido valor.
Não entendi o papel das Forças Armadas no atual governo. Houve várias crises: o chamamento popular do sete de setembro e o desentendimento entre os Poderes foram as últimas. Alguns telefonemas de Generais para Ministros do Supremo e mais nada. O meu entendimento é o de uma idosa que acompanha os movimentos políticos.
Escutei o discurso do Bolsonaro na comemoração de mil dias de governo. Não senti firmeza nas declarações e nos elogios. Vivemos numa alta inflação, sem poder comprar gás de cozinha, andar de carro e ele, o Presidente, afirma que pode piorar.
Alguns amigos ligados ao Chefe do Executivo dizem que ele é um bom enxadrista e que suas ações são planejadas. Gostaria de acreditar nisso e pensar que ele vai melhorar o Brasil. Entretanto, não imagino que sendo tão cobrado, tão perseguido, possa trabalhar com tranquilidade.
Votei no Bolsonaro para não votar no PT. Espero conseguir acreditar em suas metas e poder votar nele em 2022. Para tanto, quero chegar ao próximo ano a um Brasil sem corrupção, sem mentiras, sem desvios de dinheiro público.
Sou uma velhinha sonhadora!
* É aposentada da Assembleia Legislativa.
Alari Romariz Torres *
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