Essa guerra entre Israel e Irã tem sido causada pelo temor de uma bomba atômica produzida a partir de rochas que existem na natureza.
Tento a seguir fornecer, em linguagem acessível, que mineral é esse e como ele tem sido manipulado pelo homem.
No começo, ele é só pedra. Uma rocha esquecida no subsolo, sem brilho, sem encanto, sem sequer chamar a atenção de quem passa. Uma pedra qualquer, igual a tantas outras que pisamos sem perceber. Mas, dentro dela, dorme um segredo. Um segredo que a natureza levou bilhões de anos para esculpir — e que o homem, curioso como sempre, aprendeu a acordar.
O urânio é assim: nasce manso, calado, quase inofensivo. Ali, no seio da terra, ele vive diluído, misturado, tímido. A cada tonelada de rocha, uma colher de urânio, ou seja cada 1000 KG da Rocha tem apenas 3 kg do minério – e, dentro desse pouquinho, ainda menos da parte que realmente importa: um tipo raro, discreto, que carrega dentro de si uma energia assustadora, capaz de acender cidades ou apagar civilizações.
Mas a natureza não entrega seus segredos tão fácil. O urânio, em seu estado natural, é como um fósforo molhado: tem potencial, mas não acende. Para que ele queime, gere calor, energia — ou destruição —, é preciso que o homem o transforme. Que o lapide. Que o enriqueça.
E enriquecer, nesse caso, não é torná-lo mais bonito, mais brilhante, nem mais valioso no mercado comum. É, na verdade, separá-lo. Tirar dali a parte que realmente interessa, aquela fração mínima que tem o poder de começar uma reação em cadeia. Uma espécie de efeito dominó, mas onde cada peça que cai não derruba outra — explode.
Para gerar energia, basta enriquecer um pouco. É como acender uma fogueira. Controlada, monitorada, ela aquece, ilumina, alimenta. Mas, se a intenção não for esquentar, e sim destruir, aí é preciso ir além. É preciso elevar seu poder até quase a pureza total. Transformar aquele minério pacato numa fera indomável.
É nesse ponto que o urânio deixa de ser pedra e vira ameaça. Não mais algo que vive escondido na terra, mas algo que assombra a humanidade. Porque, quando enriquecido até o limite, ele não aceita conversa, não aceita controle, não aceita trégua. É um só comando — e tudo ao redor vira poeira, fogo, silêncio.
Curioso pensar que, no fundo, ele nunca pediu para ser assim. Foi o homem que descobriu. Foi o homem que quis. Que aprendeu a pegar uma partícula do universo e ensinar a ela não só a gerar vida, mas também a produzir morte.
O urânio, em si, não é vilão nem herói. É apenas matéria. Quem escolhe o roteiro somos nós. Podemos fazer dele luz ou sombra. Podemos usá-lo para aquecer lares, girar turbinas, salvar hospitais… ou, simplesmente, deixar que ele nos ensine, na prática, o quão pequenos somos diante do poder que decidimos despertar.
E assim seguimos, olhando para uma pedra que parecia tão simples, tão banal… e percebendo que, nela, mora talvez a mais perfeita metáfora da própria humanidade: a capacidade infinita de construir — e a perigosa tentação de destruir.
Analista colaborador do Resumo Política







