Quem viu nos últimos dias Renan Calheiros jogar confetes sobre o prefeito JHC, deve ter ficado com um maribondo atrás da orelha. Renan foi mais adiante e o convidou para uma caminhada, ombro a ombro, em direção ao pôr do sol, como num final feliz de filme clássico.
Esse movimento teria acontecido por solicitação do presidente Lula, que pretende ter, em Alagoas, JHC no seu palanque em 2026? Alguns analistas aventam a possibilidade de que os afagos fazem parte de um imaginável acordo envolvendo a indicação de Marluce Caldas, tia de JHC, para o STJ — essa solução está cada vez mais distante por crescerem os rumores em Brasília de que Sammy Barbosa Lopes, do Acre, será o indicado. Ou ainda: Renan sinceramente quer JHC ao seu lado, como candidato a senador, retirando Arthur Lira da disputa?
Como também se sabe que Renan Calheiros não abriria as portas para a entrada de JHC no projeto do MDB sem o aval do deputado Marcelo Victor, presidente da Assembleia, e do governador Paulo Dantas — que providencialmente também permanecem em silêncio —, crescem as interrogações sobre as verdadeiras razões dos constantes acenos ao prefeito.
JHC nada responde. O silêncio pode ser entendido como sinal de que ele está avaliando as propostas, esperando mais compensações políticas para fazer o transbordo, ou mesmo deixando para rejeitá-la no momento que avaliar melhor.
Não sei se o Renan Calheiros joga xadrez, mas durante uma partida sobre esse nobre tabuleiro tem um momento em que qualquer que seja a jogada do adversário, sua situação só vai piorar. Diz-se então que este jogador está em zugzwang.
Avalio que, mesmo sem ter essa intenção, Calheiros colocou JHC em zugzwang. Qualquer que seja a resposta do prefeito, já tem perdas consideráveis entre os seus seguidores, que rejeitam qualquer aliança com Renan. O estrago, que já pode ser expressivo, tende a aumentar se o silêncio persistir. Por outro lado, se anunciar agora que rejeita a aliança, antecipa um jogo que normalmente se define mais próximo das convenções partidárias. Estreitaria suas possibilidades de formação do campo eleitoral, tornando-se previsível em seus movimentos.
Renan colocou JHC em zugzwang, mas isso não significa um xeque-mate.







