Tudo na natureza tem um centro. Um ponto de equilíbrio, de gravidade, de sustentação. É dali que tudo se organiza, se estrutura, se mantém de pé.
Mas até o centro tem seus limites.
As estrelas, por exemplo, vivem assim. Durante milhões de anos, elas lutam em silêncio para equilibrar forças. De um lado, a gravidade, puxando tudo para dentro, querendo esmagar, implodir, colapsar. Do outro, a energia das reações nucleares, empurrando tudo para fora, querendo expandir, iluminar, brilhar.
Enquanto essas forças estão em equilíbrio, a estrela vive.
Brilha.
Aquece.
Gera vida.
Mas chega uma hora em que o combustível acaba. A pressão interna já não é mais suficiente para segurar o peso de si mesma. E então… ela colapsa. Desaba sobre o próprio centro. E aquele que um dia foi sol, vida, luz… vira buraco negro. Um abismo onde nada mais escapa. Nem a própria luz.
E, cá entre nós, a vida da gente, às vezes, parece funcionar do mesmo jeito.
A gente passa anos equilibrando forças. O trabalho, a família, os sonhos, as cobranças, as expectativas, os medos, os desejos. Seguramos aqui, empurramos dali, sustentamos mais um pouco. Dizemos pra nós mesmos: “Só mais hoje. Só mais essa semana. Só até passar isso.”
Até que não passa.
O centro começa a ceder. O que antes era rotina, agora pesa. O que antes era esforço, agora dói. O que antes dava orgulho, agora gera cansaço. E, se não houver alívio, se não houver respiro, se não houver um novo combustível emocional, afetivo ou espiritual… a gente colapsa.
Vira aquele tipo de pessoa que já não brilha. Que não emite mais calor. Que só puxa pra dentro. Que se fecha, que se esconde, que parece ter desaparecido de si mesma.
O universo ensina: não há vergonha em reconhecer o próprio limite. Nem em pedir ajuda. Nem em buscar um novo equilíbrio antes que o centro ceda.
Estrelas colapsam quando esquecem que precisam de energia para continuar existindo. Gente, também.
E, às vezes, tudo que falta para evitar o colapso é acender uma nova fonte de luz — dentro ou fora — que nos lembre que viver não é apenas resistir ao peso do mundo, mas, sobretudo, aprender a não carregá-lo sozinho.
Analista colaborador do Resumo Política







