Desde muito cedo, aprendi com meus pais que se deve respeitar os mais velhos, ou respeitar o outro de uma maneira geral.
Inicialmente, como minha mãe era filha única e meu pai tinha dois irmãos, tínhamos poucos parentes. Mas possuíamos uma tia velha que sofreu derrame e fedia à baba. Corríamos dela para que não nos beijasse. Se meu pai visse tal fato, mandava que fôssemos beijá-la. Respeito total!
Na época de colégio, recebíamos orientação para respeitar os professores, ainda que estivessem errados. Se chegássemos em casa falando mal dos professores, meu pai ia conversar com nossa coordenadora para saber o que havia ocorrido.
Entrei na Assembleia Legislativa de Alagoas com dezoito anos, no tempo da vigência do Sindicato do Crime e ficava surpresa com a vaidade de alguns Deputados. Já madura, casada, ouvi um parlamentar gritando: “Eu sou Deputado! Exijo respeito!” Assustei-me porque o respeito não se exige, conquista-se através do comportamento. Ainda hoje na Casa de Tavares Bastos o lema é “Deputado é Deputado, servidor é servidor”. Apesar de não concordar, aprendi muito convivendo com políticos.
Respeito é você entrar e sair de qualquer ambiente e ouvir das pessoas um silêncio bondoso. Ninguém desacredita a mulher que por ali passou. Ela é digna, direita, que honra a tradição familiar. Os laços familiares vêm do berço e passam de pais para filhos. Torna-se necessário a criatura ser honesta, fiel aos familiares, comportar-se bem no trabalho e na vida.
Já vi um Deputado na inauguração de nossa Cooperativa Médica, puxar o elástico do sutiã de uma colega e ficar rindo. Tal falta de respeito levou a moça à cadeia anos depois, por não saber lidar com os patrões.
Cenas desrespeitosas em ambiente de trabalho foram vistas por mim e pelos companheiros. Um diretor nosso amanhecia contando fatos que se passavam durante a noite nas longas sessões extraordinárias do Legislativo. Ordem de meu pai: “Terminou a sessão, volte para casa”. Eu era uma menina de 18 anos!
Em Alagoas, conheci grandes e respeitáveis grupos familiares e posso afirmar que o nosso é muito bom. Meu pai era um alfaiate que, através de estudos, chegou por concurso público a ser Auditor Fiscal do INSS. Minha mãe, dona de casa, mulher forte, criou os filhos com força e caráter. Todos somos dignos e respeitados por filhos e netos.
Na Faculdade, no Rio de Janeiro e em Recife, nos idos dos anos 60 e 70, convivi com rapazes e moças bem mais jovens do que eu. Depois da aula de sábado havia shows com artistas famosos, devidamente acompanhados de álcool e drogas. Casada, com quatro filhos, não comparecia; voltava para casa.
O tempo foi passando e virei Presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Assembleia. A maioria dos associados era homem e convivia com eles na base do respeito mútuo. Hoje sou amiga de muitos deles que fazem questão de conversar comigo. Esta semana, estive numa Assembleia Geral e tirei retratos com amigos que me respeitam.
Narrar fatos ocorridos na família, que são públicos e notórios desde a morte de meu pai, quando percorri os cartórios de Maceió para provar que minha irmã caçula não era casada e tinha direito à pensão dele, não é falta de respeito à família.
Dizer que vivíamos unidos em nossa cidade e que a vinda da irmã mais nova tumultuou nossa união não é desrespeito à família. É a pura verdade!
Quando os pais morrem cedo, a família fica sem rumo. Os irmãos mais velhos tentam unir o resto do grupo familiar, mas nem sempre conseguem. Há casos em Alagoas de irmãos que se afastaram por causa de problemas sérios.
Quero deixar bem claro que sou uma idosa de oitenta anos, hipertensa, com diabetes, mas lúcida. Entro e saio de qualquer ambiente e não ouço comentários depreciativos de ninguém.
* É aposentada da Assembleia Legislativa.
Alari Romariz Torres *
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