Sou verdadeiramente apaixonada pelo Sindicato do Poder Legislativo, que ajudei a fundar. São mais de trinta anos de luta tentando ajudar os companheiros que são perseguidos pela Mesa Diretora.
Não posso afirmar quantas ações judiciais já ganhamos tentando corrigir os erros cometidos pelos dirigentes. Só conseguimos algo quando a justiça nos ajuda.
Já aconteceu de tudo nesses 30 anos. Houve momentos em que a folha da Assembleia chegou a ter cinco mil funcionários. Havia um fato que se chamava “enxerto na folha de pagamento”. E todo mês apareciam novos funcionários. Veio o plano de demissão voluntária – PDV e milhares de companheiros foram demitidos ou pediram demissão. O Velho Sindicato participou de tal plano, mostrando aos colegas o perigo que corriam pedindo para sair.
Durante sete meses, o Governo Federal não mandava verba para pagar os colegas que entraram no PDV. Mais uma vez, a entidade precisou ajudar os que estavam sem salário! Foi um período dramático.
De repente, a Mesa Diretora resolveu não pagar, nem conceder férias. Durante muitos anos, os servidores não tinham o direito a gozar férias. O que o Sindicato conseguiu fazer foi entrar na justiça e cobrar o que lhes era devido.
Hoje, para requerer aposentadoria, a criatura é obrigada a assinar um documento afirmando que a Assembleia nada lhe deve. E os processos de aposentadoria dormem em berço esplêndido por um ano ou mais. É preciso que algum padrinho peça ao Presidente da Casa para que ele libere o documento. Uma humilhação!
Se o companheiro entra na justiça pedindo algo que saiu do seu salário ou outro absurdo qualquer ele ganha, o salário é corrigido, mas o que perdeu não recebe de volta! Faça um processo administrativo, diz o algoz. E alguém senta em cima do seu documento. A vítima recorre ao Presidente do Sindicato que tenta ajudar, mas não consegue.
Mas, o Velho Sindicato não desiste. Continua cumprindo o papel social que é ajudar as vítimas da Mesa Diretora. Dá até pena ver companheiros perseguidos procurarem os diretores da entidade pedindo socorro.
Há casos interessantes, um deles: um colega nosso estava no hospital com braços e pernas cortados, em estágio terminal. Entrou com processo de isenção de imposto de renda. Nada de o documento ser assinado. A filha do doente procurou o pai do Presidente. Ele falou com o filho e resolveu o problema. Meses depois, o colega morreu.
Outro, bem menor: um companheiro solicitou a aposentadoria. Depois de alguns meses, nada foi resolvido. A vítima foi a Palmeira dos Índios falou com o Presidente e foi aposentado.
Num terceiro caso, uma inativa descobriu que seu salário estava errado. Pesquisou, descobriu a lei e foi ao Diretor do Pessoal que corrigiu o salário. Agora, disse o moço, faça um processo administrativo dirigido a mim e devolveremos seu dinheiro. Enviou o processo à Procuradoria desde julho de 2025 e até hoje a pobre velha nada recebeu. Se pensam que ela vai implorar a alguém, descansem. O Presidente do Velho Sindicato tomou ciência do caso.
Narro tais fatos para que todos vejam como sofre a Diretoria do Velho Sindicato. Vê casos horríveis acontecendo com os associados, tenta resolver e não consegue. A entidade é intermediária, depende da Mesa Diretora.
Procura, no entanto, o Velho Sindicato ajudar os associados com convênios que assina e proporcionar à categoria salários indiretos.
Espero que os companheiros não desistam da luta, não tenham medo dos dirigentes e lembrem-se:
Deus existe, não duvidem!
Alari Romariz Torres
É aposentada da Assembleia Legislativa
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