A liberdade de crença é um dos pilares mais nobres da civilização. Está inscrita na Constituição, nas declarações universais de direitos humanos e, sobretudo, na consciência de quem compreende que a espiritualidade é uma experiência íntima, sagrada e intransferível. No entanto, em pleno século XXI, a intolerância religiosa ainda sangra o tecido social, discrimina, humilha, agride e, em casos extremos, mata.
O Brasil, país de formação plural, nascido do encontro de povos indígenas, africanos, europeus e de tantas outras matrizes culturais, deveria ser um território natural de convivência entre credos. Católicos, evangélicos, espíritas, judeus, muçulmanos, budistas, adeptos das religiões de matriz africana, povos originários e aqueles que não professam fé alguma: todos são igualmente cidadãos, todos merecem o mesmo respeito, a mesma proteção, a mesma dignidade.
A intolerância religiosa não nasce da fé verdadeira, mas do fanatismo, da ignorância e do uso da religião como instrumento de poder. Quem persegue o outro em nome de Deus não O representa; quem discrimina em nome da Bíblia, do Alcorão, da Torá ou de qualquer livro sagrado trai a essência do amor, da compaixão e da fraternidade que todas as grandes tradições espirituais ensinam.
Os terreiros incendiados, os templos profanados, os símbolos sagrados destruídos, os fiéis hostilizados nas ruas e nas redes sociais são feridas abertas em nossa democracia. Não se trata apenas de um ataque à religião, mas de um atentado direto à liberdade, à cultura e à própria ideia de civilização.
Combater a intolerância religiosa é educar para o respeito, é ensinar desde cedo que diversidade não é ameaça, é riqueza. É fazer valer a lei, punir o ódio, proteger os vulneráveis e afirmar, com clareza, que o Estado é laico, mas não é inimigo da fé; é garantidor do direito de todas elas.
Neste Dia de Combate à Intolerância Religiosa, a mensagem deve ser firme e inequívoca: nenhuma crença é superior a outra, nenhum Deus autoriza o ódio, nenhuma doutrina legitima a perseguição. Toda fé merece respeito. E todo ser humano, independentemente de sua forma de se relacionar com o sagrado, merece viver sem medo, sem discriminação e sem violência.






