O desempenho das estatais federais voltou ao centro do debate político em 2025, não apenas pelo resultado agregado, mas pelo contraste evidente com o último ano do governo Bolsonaro, em 2022. Quando se observa empresa por empresa, com números aproximados extraídos de balanços públicos e resultados divulgados, emerge um padrão que ajuda a compreender a diferença entre resultado econômico real e apropriação política do discurso.
Em 2022, último ano do governo Bolsonaro, as estatais federais registraram um resultado extraordinariamente positivo, puxado quase integralmente pela Petrobras e reforçado pelo desempenho dos bancos públicos. Em 2025, o quadro ainda é positivo em algumas empresas, mas substancialmente pior, tanto em valor absoluto quanto em consistência estrutural.
A Petrobras é o eixo central dessa comparação.
Em 2022, a empresa registrou lucro líquido próximo de R$ 188 bilhões, o maior de sua história. Esse resultado decorreu de preços alinhados ao mercado internacional, controle de custos e foco em rentabilidade.
Em 2025, a Petrobras continua lucrativa, mas com lucro estimado na faixa de R$ 80 a 90 bilhões no acumulado mais recente. Trata-se de uma queda superior a 50% em relação a 2022. A empresa ainda sustenta o caixa do Estado, mas com margens comprimidas por política de preços mais flexível, investimentos direcionados e maior interferência estratégica.
A Eletrobras oferece um contraste ainda mais claro entre os períodos.
Em 2022, já capitalizada, a empresa apresentou lucro em torno de R$ 3 a 4 bilhões, ainda em fase de reorganização.
Em 2025, o lucro estimado gira entre R$ 7 e 9 bilhões, resultado de ganhos de eficiência e contratos de energia. É um caso emblemático de empresa que melhora desempenho à medida que se afasta do controle político direto.
O Banco do Brasil manteve forte desempenho nos dois períodos.
Em 2022, lucrou cerca de R$ 51 bilhões, resultado recorde.
Em 2025, permanece altamente lucrativo, com lucro anualizado estimado entre R$ 35 e 40 bilhões. Há queda relevante, mas o banco segue sólido, sustentado pelo agronegócio e pelo crédito. A diferença central está no aumento do uso político do crédito direcionado, que pressiona margens.
A Caixa Econômica Federal também ilustra bem a mudança de orientação.
Em 2022, apresentou lucro próximo de R$ 10 bilhões, mesmo com forte atuação social.
Em 2025, o lucro estimado cai para algo entre R$ 4 e 6 bilhões, refletindo maior uso do banco como instrumento de política pública, subsídios e programas habitacionais com menor retorno financeiro.
Quando se observa as estatais operacionais deficitárias, o contraste é ainda mais desfavorável em 2025.
Os Correios, que já eram deficitários em 2022 com prejuízo em torno de R$ 2 bilhões, ampliaram o rombo em 2025, com prejuízo estimado entre R$ 3 e 4 bilhões, pressionados por concorrência privada, custos fixos elevados e ausência de reestruturação.
A Infraero, que em 2022 operava próxima do equilíbrio após a perda dos grandes aeroportos, volta a registrar prejuízo em 2025, estimado entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão, sustentada por aportes indiretos.
A Valec, a Emgepron e a Ceitec mantêm o padrão de prejuízo estrutural nos dois períodos. Em 2022, o custo conjunto dessas empresas já superava R$ 1 bilhão anual. Em 2025, o valor permanece semelhante ou maior, sem sinal concreto de reversão econômica.
O quadro comparativo revela um dado incômodo.
Em 2022, o resultado agregado das estatais federais superou R$ 200 bilhões de lucro, concentrado, é verdade, em poucas empresas, mas real e mensurável.
Em 2025, o resultado agregado positivo existe, porém encolheu drasticamente, ficando concentrado quase exclusivamente em Petrobras, Banco do Brasil e Eletrobras, enquanto o número de estatais deficitárias aumentou ou aprofundou prejuízos.
A diferença não está apenas no ciclo econômico. Está na orientação. O governo Bolsonaro explorou politicamente os resultados, mas manteve foco em geração de caixa, especialmente na Petrobras. O governo atual também explora o discurso do crescimento, porém aceita perdas econômicas como custo político, normalizando prejuízos em nome de objetivos estratégicos e eleitorais.
O dado mais revelador não é quem lucra, mas quem sustenta o sistema. Em 2025, poucas estatais ainda funcionam como empresas. A maioria opera como instrumento político, social ou simbólico, sem compromisso com resultado econômico.
Isso não significa defender estatais apenas como máquinas de lucro. Significa reconhecer que prejuízo recorrente também é política pública, só que paga de forma silenciosa pelo contribuinte. Quando o Executivo celebra crescimento e omite a deterioração empresa por empresa, o discurso se distancia da realidade.
Comparadas ao último ano do governo Bolsonaro, as estatais federais em 2025 mostram menos lucro, mais interferência e maior tolerância ao prejuízo. O problema não é ideológico. É aritmético. E números, quando observados com honestidade, costumam contar histórias menos convenientes do que os discursos oficiais.







