Aprendi na vida que carne, frango, peixe e outros são proteínas. Recentemente o médico me informou que posso ter uma proteína mal formada que gera desequilíbrio.
Fiz o Genoma, resolvi pesquisar e escrever da forma que entendo, sem pretensões acadêmicas.
Na verdade essa associação, embora correta, é apenas uma pequena parte da história. As proteínas são muito mais do que nutrientes presentes nos alimentos. Elas estão entre as moléculas mais importantes da vida e participam de praticamente tudo o que acontece dentro de um organismo vivo.
Se fosse possível desmontar um ser humano até seus componentes fundamentais, encontraríamos uma sequência impressionante. Primeiro os átomos. Depois as moléculas. Em seguida moléculas mais complexas que se organizam em estruturas capazes de desempenhar funções específicas. Entre essas estruturas estão as proteínas, verdadeiras máquinas moleculares que tornam a vida possível.
Quimicamente, uma proteína é formada por pequenas moléculas chamadas aminoácidos. Os aminoácidos ligam-se uns aos outros como vagões de um trem, formando longas cadeias. Essas cadeias dobram-se sobre si mesmas, adquirindo formas tridimensionais extremamente complexas. E é justamente essa forma que determina a função de cada proteína.
A natureza utiliza apenas cerca de vinte aminoácidos básicos para construir todas as proteínas existentes nos seres vivos. Parece pouco. No entanto, assim como apenas vinte e seis letras permitem escrever todos os livros do mundo, esses vinte aminoácidos são suficientes para criar uma diversidade quase infinita de proteínas diferentes.
O DNA contém as instruções para essa construção. Ele funciona como uma gigantesca biblioteca de receitas. Mas receitas não cozinham sozinhas. É a proteína que executa o trabalho. Por isso muitos cientistas afirmam que o DNA guarda a informação, enquanto as proteínas realizam a ação.
Quando respiramos, proteínas estão trabalhando. Quando enxergamos, proteínas estão trabalhando. Quando pensamos, caminhamos, digerimos alimentos, combatemos infecções ou cicatrizamos uma ferida, proteínas estão trabalhando.
O sangue que percorre nossas veias depende de uma proteína chamada hemoglobina para transportar oxigênio. Sem ela, nossas células morreriam em poucos minutos.
Os músculos dependem das proteínas actina e miosina para gerar movimento. Cada passo, cada abraço e cada batimento cardíaco resultam da interação dessas proteínas.
O sistema imunológico produz anticorpos, que também são proteínas. Eles identificam invasores como vírus e bactérias e ajudam o organismo a combatê-los.
As enzimas, responsáveis por acelerar milhares de reações químicas dentro do corpo, são proteínas especializadas. Sem elas, muitas dessas reações levariam anos para ocorrer. Com elas, acontecem em frações de segundo.
O colágeno, que dá resistência à pele, aos tendões e aos ossos, é uma proteína. A queratina dos cabelos e das unhas também é uma proteína.
Em outras palavras, as proteínas não são apenas uma parte do corpo. Elas são grande parte daquilo que o corpo faz.
Mas de onde vêm as proteínas?
Elas chegam através da alimentação. Carnes, peixes, ovos, leite, queijo, feijão, lentilha, soja e diversos outros alimentos ricos em proteínas.
Curiosamente, o organismo não aproveita diretamente a proteína ingerida. Durante a digestão, ela é desmontada em aminoácidos. Essas peças são absorvidas pelo intestino e transportadas pelo sangue até as células, onde serão reutilizadas na construção de novas proteínas humanas.
É como se uma casa antiga fosse demolida para que seus tijolos fossem usados na construção de uma casa nova.
A cada instante, milhões de proteínas estão sendo produzidas, modificadas e recicladas dentro do corpo. A vida é um processo permanente de construção e reconstrução molecular.
Essa realidade revela algo fascinante. Aquilo que chamamos de vida não é uma substância misteriosa escondida em algum órgão do corpo. É um estado de organização extremamente sofisticado da matéria.
Os átomos unem-se para formar moléculas. As moléculas organizam-se em aminoácidos. Os aminoácidos formam proteínas. As proteínas constroem células. As células organizam-se em tecidos. Os tecidos formam órgãos. E os órgãos trabalham juntos para criar aquilo que reconhecemos como um ser vivo.
Nesse contexto, as proteínas ocupam uma posição central. Elas representam o ponto em que a química começa a adquirir comportamento. São estruturas feitas de matéria comum, mas capazes de executar tarefas extraordinárias.
Quando uma pessoa nasce, cresce, aprende, trabalha, ama e envelhece, bilhões de proteínas estão atuando silenciosamente em cada segundo desse processo.
E quando a vida termina, a organização que mantinha essas proteínas funcionando desaparece. As moléculas se degradam, os átomos retornam ao ambiente e o ciclo da matéria continua.
Talvez por isso possamos definir as proteínas de forma simples e profunda ao mesmo tempo.
Elas são as operárias da vida.
O DNA guarda os projetos. O ATP fornece a energia. Mas são as proteínas que constroem, transportam, defendem, reparam e movimentam tudo aquilo que transforma um conjunto de átomos em um ser humano capaz de pensar sobre sua própria existência.
Na longa jornada que vai dos átomos às civilizações, as proteínas representam um dos mais extraordinários capítulos da história da matéria organizada. Elas são a prova de que, quando os átomos se unem da maneira certa, a química pode se transformar em vida.




