Se a cabeça não estiver boa, na hora da dor e da aflição a criatura adoece mentalmente.
Em maio deste ano perdi meu terceiro filho. Olhava para o céu e perguntava a Deus por que tinha levado o meu João. Claro que não obtive respostas. Amigos me diziam que tivesse fé e segurasse na mão do Pai Eterno. Tentei fazer isso, mas acho que minha fé era, ou é, pouca. Passaram-se quase seis meses e a dor é sempre maior.
Pequenos sinais me apontam que tenho 3 filhos, 11 netos e 3 bisnetos. Preciso continuar vivendo com o apoio de meu marido, alguns familiares e muitos amigos. Nunca pensei em suicídio, nem senti indícios de desequilíbrio mental. Continuo firme e forte, lutando por melhores dias.
Desde setembro do ano passado, quando entendi que meu filho era paciente terminal, sofri grandes decepções no seio da minha própria família. Algumas irmãs, outrora ditas minhas amigas, “deram um tempo” e se afastaram da velha mana numa hora tão difícil. Mas, desde pequena, aprendi a administrar os desencontros da vida.
Deus, então, tenta me mostrar que o João se foi, entretanto mandou para nos alegrar dois bisnetos: Mateo e Sophia. Era como se Ele me dissesse: “ Vou amenizar sua dor, mandando para sua família um neto do João e uma neta do Rubiãozinho.
Em minhas noites de insônia, fico pensando até que ponto o Senhor nos faz entender: a vida é só uma passagem e todos nós morreremos um dia.
Voltam, então, as palavras do velho Romariz, meu pai: “Mãe não foi feita para perder filho”. Para entender o tamanho da minha dor, só uma mulher que já passou por isto, pode avaliar meu sofrimento.
Os outros filhos tentam diminuir o pesar dos pais, falando sempre do irmão e procurando ajudar à família dele, sobrevivente de tão dolorosa ausência.
Vem então, nosso querido Deus olhando a aflição da família inteira, manda no dia treze de agosto, perto do Dia dos Pais, um neto do João, nosso bisneto, o pequeno Mateo. Era como se Ele dissesse: “Vai para vocês um pedaço do amado João”.
O tempo foi passando, o coração se acalmando, os amigos tentando dizer que nosso filho está bem, num bom lugar. Precisamos acreditar nas palavras de pessoas queridas, mas a falta dele é enorme.
Vem, novamente, a Mão de Deus e, no fim de setembro, nos envia a menina Sophia, neta de outro filho, o Rubiãozinho. Em seguida, ouvimos, em nosso pensamento uma voz forte dizendo: “Acalme-se, mulher, chegou outro presente. Tenha fé”!
Seguimos vivendo, curtindo o casalzinho que recebemos para compensar a perda de um dileto filho. Como os dois bisnetos moram fora do Brasil, contentamo-nos com fotos, mensagens e ligações internacionais. Eles chegaram bem e são saudáveis.
O ano de 2022 foi tumultuado: eleições no Velho Sindicato, eleições no Brasil, amigos perdidos. Graças a Deus, ele está perto do fim. Não é possível que ainda aconteça alguma coisa ruim. Não tivéssemos o equilíbrio necessário para viver bem, já teríamos desistido de lutar.
Para completar, o PT de Lula vai voltar a governar o país. Aceitamos, calmamente, o resultado das urnas e rezaremos para que não se repitam mais episódios corruptos como o Mensalão, o Petrolão e outros.
Finalmente, amigos queridos estão doentes e passando por sérios tratamentos. Com certeza a cura será dada por nosso Ser Maior!
Resta-nos aprender novas lições: sofrer menos pelos que se foram, receber com alegria os que chegaram, auxiliar na recuperação dos enfermos.
Talvez seja uma nova lei da compensação.
Alari Romariz Torres
É aposentada da Assembleia Legislativa







