Observo desde a juventude os avisos que Deus dá a determinadas pessoas. Vaidade, egoísmo, dinheiro, são responsáveis pela mudança de comportamento de certas criaturas.
Lembro-me de um político famoso que vivia só para campanhas eleitorais. Acordava cedinho e ia fazer caminhadas no Mercado Público, visando o próximo pleito. Adoeceu gravemente, teve que vir para Maceió. Quase morreu, pois no interior do Estado onde exercia um mandato, foi tratado de maneira errada. Conseguiu sobreviver, mas não mudou de vida. Logo depois, morreu num acidente de carro quando ia visitar possíveis eleitores. Não percebeu o aviso de lá de cima.
É comum entre políticos o excesso de vaidade. Um Senador que chegou à Presidência da Casa, cresceu muito e levou uma rasteira dos próprios colegas. Não sei se aprendeu a lição.
Cheguei à Presidência do Sindicato dos Trabalhadores do Legislativo por duas vezes, com excelente votação. Meu marido alertava: “Está na hora de sair”. Resultado: fui traída por companheiros ligados a mim.
Vejo exemplos gritantes no pessoal do rádio, teatro e TV. Cantores que ficam famosos, rapidamente deixam a vida normal, compram jatinhos, mansões, esbanjam altos valores. De repente, adoecem, sofrem um acidente de carro ou avião, morrem. Não têm tempo de curtir a vida.
Querem casos chocantes? Jogadores de futebol, voleibol. Ficam ricos, vaidosos. Ano passado, um atleta foi para a Copa do Mundo, levou o namorado, deu entrevistas ruidosas na internet. Machucou-se, ficou sem emprego. Recentemente, apareceu num dos times mais fracos da Superliga. Bem mais controlado.
E a vida vai seguindo! Novos casos aparecendo. Atualmente, um Deputado Federal alagoano chegou à presidência da Câmara Federal. Virou autoridade de grande relevo em todo país. O Presidente da República que ele apoiava, caiu. Pulou de galho bem ligeiro. Já sinto movimentos da atual gestão para derrubá-lo. Não entendeu o recado dos céus quando seu candidato ao governo de Alagoas perdeu a eleição. Continua vaidoso e sabido.
Entre meus amigos, alguns não gostam de gente pobre. Só querem amigos da alta sociedade. Um deles tem sofrido com doenças na família. Contudo, não perde a pose e continua frequentando as rodas dos ricos. Avisos já foram dados pelo “Homem de lá de cima”, mas o moço não escuta ou não entende.
É bem interessante perceber determinados recados, quando os cordões são puxados do alto. Se fizer ouvido de mercador, o chicote canta lá na frente.
Conheci um político bem inteligente e também vaidoso. Encontrava-o em restaurantes, com a mulher e filho, lendo jornal. Não via ninguém, não falava com ninguém. Levou uma rebordosa no Legislativo, foi morar na Espanha, voltou mais vaidoso ainda. Teve um câncer de pulmão e morreu. Deixou vaidade, poder e dinheiro. Nada levou.
Moro numa pequena cidade, cujo Prefeito conheço desde pequeno. Na primeira eleição, veio em minha casa pedir votos. Não gosta de mim porque o critico e mostro alguns erros cometidos. Já recebeu o primeiro aviso: uma grave doença e foi parar na UTI. Continua com a vaidade do mundo todo. Em plena festa do santo padroeiro da cidade, viajou para o exterior. Mal cumprimenta os velhos amigos. Políticos só gostam de elogios; odeiam críticas.
Convivi durante muito tempo em uma casa política e vi fatos eletrizantes acontecerem. Mesmo recebendo os avisos “lá de cima”, as criaturas ficam cegas pelo poder. Já ouvi frases assim: “Chame-me de senhor; sou deputado”.
São tantos os exemplos de pessoas que ficam de “salto alto” e caem depois, que precisaríamos de vários artigos para contar todos os casos.
Lição que fica da minha passagem pela terra: Ninguém é melhor do que ninguém; todos nascem e morrem; e vão todos para o mesmo lugar!
Deus existe. Não duvidem!
Alari Romariz Torres
É aposentada da Assembleia Legislativa







