A felicidade completa não existe. Nós, durante toda a vida passamos por momentos felizes e infelizes. Quando é algo grave, devemos administrar o problema.
Recentemente, eu e meu marido tivemos grandes alegrias. Visitamos um neto que está concluindo o curso de medicina e está muito feliz. Fomos aos quinze anos de um neto mais novo, que tinha perdido o pai. Aí vivemos novas alegrias, mas também tristes recordações.
Depois de Deus ter dado ao velho casal raios de felicidades, aparece a notícia da doença de um parente ter voltado com intensidade. Passará por novos tratamentos, velhos sofrimentos, muita luta para combater o mal.
Sempre que acordamos, pela manhã, rezamos e agradecemos a Deus pelo dom da vida e pedimos coragem para enfrentar problemas que, por acaso, surjam.
Depois que passamos dos oitenta, pensamos no final da vida. Não sabemos até quando estaremos vivos.
O momento atual é de médicos, laboratórios, hospitais. É difícil o mês em que não há consultas marcadas. E os médicos sempre dizem: “Para a idade, vocês estão ótimos; mas voltem dentro de três meses”.
Quando toca o telefone, vem o susto: algum amigo oitentão morreu ou uma pessoa querida está gravemente doente. E a fila vai andando!
Procuro ver na internet casais chegando aos noventa anos e lúcidos. As estórias, algumas vezes, são negativas: filhos e até netos, explorando seus “velhinhos”. Tomam a casa, o cartão de crédito ou débito, gritam com os coitados.
No nosso caso, estamos lúcidos, temos nossa renda, procuramos não incomodar os filhos. Eles nos tratam bem, digo que são cuidadosos ou mesmo cuidadores, viajam conosco e correspondem à nossa confiança.
Recentemente, ouvi de um filho que explicava uma estória trágica aos pais: o seguro que o pai pagou durante trinta anos, iria ser recalculado para menor. A mãe reclamava e o filho argumentava: “Para que a senhora quer tanto dinheiro”? Sorriu a velha senhora e replicou: “Seu pai descontou durante todo este tempo; o dinheiro é nosso”!
Sempre que recebemos uma boa notícia, pensamos que aquele momento passará e procuramos aproveitá-lo. Ao contrário, quando surge uma má notícia, vem o susto. É preciso parar e pensar como enfrentar a fase negra.
Não há coisa pior do que o médico diagnosticar: “Você tem uma grave enfermidade”. O coração bate forte, o corpo treme e os nervos fervem. Só há uma saída: fazer o tratamento e rezar, pedindo a Deus que nos ajude a sarar.
Mas, existe notícia boa. Você se curou, vai ganhar um filho, ou um neto, ganhou um bom prêmio, recuperou um amigo. Tudo isso alegra a criatura.
No decorrer da vida, há pessoas que não podem reclamar. Tiveram uma infância feliz, uma adolescência muito boa, casaram, nasceram os filhos, chegaram os netos, bisnetos e curtem a velhice com mais de oitenta anos.
Como nem tudo são flores, depois de alguns anos de felicidades, perderam um filho querido. No meio de tanta alegria, veio a tragédia.
Nesse mundão de meu Deus, há pessoas que tiveram uma infância infeliz, perderam os pais cedo, foram criadas em orfanatos, mas conseguiram sobreviver e vivem bons momentos na vida.
Daí porque dizem os estudiosos que não existe felicidade completa, pois, ela é a soma de todos os bens materiais e sociais.
Precisamos aproveitar o lado bom da nossa existência e administrar os tempos ruins.
Deus existe. Não duvidem!
Alari Romariz Torres
É aposentada da Assembleia Legislativa
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