Passou o sete de setembro e pouco aconteceu! Não houve golpe, não houve quebra-quebra. Só muito espalhafato!
Bolsonaro falou no Dia da Independência, prometeu convocar o Conselho da República; nada fez.
O lado positivo é que o povo foi às ruas, mas para apoiar o Presidente. Apesar de a mídia não falar a verdade, o apoio popular ao Bolsonaro foi muito bom. Lembrei-me da época do Collor, em que as multidões encheram as avenidas de preto, com o rosto pintado. No momento atual, foi diferente: a grande maioria vestiu verde e amarelo, bandeira nas mãos ou nos ombros, gritando pelo “Mito”!
Interessante em épocas de crise é reconhecermos as pessoas como se comportam. O Presidente do Senado, antes mesmo do sete de setembro, passou-se para o outro lado e ficou com o STF. O medo de contrariar a alta Corte foi muito grande. Tramitam por lá vários processos contra o Pacheco. Ele preferiu trair o Presidente. Posição ridícula e pífia. Foi o primeiro traidor!
O Presidente da Câmara Federal, velho conhecido nosso, homem sabido que chegou a uma alta posição em Brasília, ficou no “isto é, quero dizer”. Ao invés de acompanhar o Bolsonaro, tomando firmes posições, nada fez. Tentou conversar com os dois lados, mas não disse claramente qual o seu posicionamento. No discurso de ontem, oito de setembro, alfinetou o “Mito” sem dizer o nome, não atingiu os Ministros do Supremo, ficando “em cima do muro”. Não gostei da atitude do alagoano.
Veio a fala do Fux, Presidente do Supremo Tribunal Federal. Valente, ameaçando o Bolsonaro por crimes cometidos. Elogiou os seus pares e falou grosso. Em nenhum momento comentou algo sobre as multidões que foram às ruas. Está se achando “A bala que matou Kennedy”! Quero ver se a crise aumentar, o que ele vai fazer para a defesa do Ministro que manda prender os que criticam a Corte.
Bom mesmo na crise é o povo. Veio às ruas no país todo, gritando por justiça. Verdadeiras multidões pediam o fechamento do STF, eleições limpas e apoio ao Governo Federal.
A mídia está dividida. As empresas mais importantes não mostraram quase nada. Algumas pequenas se arriscavam mostrando o povo nas ruas. O defeito delas é a falta de um posicionamento neutro. Como o Poder Executivo cortou as verbas de várias emissoras de rádio e TV, elas criticam severamente tudo que vem do governo. Até para dar uma boa notícia, falam com “cara de enterro”. Entretanto, quando divulgam coisas erradas, fazem um verdadeiro carnaval.
No presente momento, tudo é culpa do Bolsonaro: não administrou bem a pandemia, deixou a Amazônia ser devastada pelo fogo e até a inflação, beirando os 8%. Lembro-me que no Governo Sarney ela chegou a 85%. Alguém se lembra?
Diante de tanta loucura torna-se necessária uma séria posição. Não sei realmente o que deve ser feito. Mas, se ele, Bolsonaro, não fizer algo, vai perder completamente o apoio popular.
Não estou entendendo as Forças Armadas: até o Ministro da Defesa já foi chamado a depor na Câmara Federal. Vi o Senhor Ministro ser agredido verbalmente por uma deputada de esquerda. Total falta de respeito! E as Forças Armadas nada fizeram!
Enfim, o Brasil está perdido entre direita e esquerda. Ninguém respeita ninguém! Não existe mais respeito pelos Ministros do Supremo e pelo Presidente da República. Os Ministros, com certeza, não conseguem andar pelas ruas.
O único que escapa e corre livremente por fora do Poder é o Vice Mourão. A casa está caindo e ele indo para a Amazônia como se nada estivesse acontecendo.
Vamos aguardar novos acontecimentos e torcer para que o Presidente da República tome uma atitude séria ou perderá até mesmo o apoio popular.
Viva o Brasil!
* É aposentada da Assembleia Legislativa.
Alari Romariz Torres *
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