O Verdadeiro Déficit das Estatais: um problema de comando, ética e transparência
Durante décadas, as empresas estatais cumpriram um papel estratégico: eram os braços executivos do Estado, criadas para operar com maior agilidade do que os ministérios e secretarias, especialmente em áreas de infraestrutura, energia, saneamento e logística.
O pressuposto era simples: liberar essas empresas da burocracia extrema que sufoca a administração direta, permitindo que executivos técnicos, com reconhecida competência e ética, gerissem recursos públicos com foco em resultados.
Esse modelo, quando conduzido com responsabilidade, gerou grandes avanços.
Foi assim com a Petrobras em seus anos de expansão técnica, com o Banco do Brasil no fomento agrícola e com a Eletrobras no processo de eletrificação nacional.
A ideia era dotar o Estado de uma estrutura mais flexível, com capacidade de arrecadação própria e execução direta, sem abrir mão do controle público.
Mas a realidade mudou.
Com a ampliação democrática após 1988 — um avanço inegável em termos de direitos civis e liberdade política — assistimos também ao avanço de uma prática nociva: a ocupação de cargos estratégicos nas estatais por apadrinhados políticos, muitos sem preparo técnico, sem compromisso institucional e, sobretudo, com interesses pessoais ou partidários acima do interesse público.
Esses dirigentes passaram a executar ordens não registradas oficialmente, a distribuir benesses, contratar obras e serviços com base em interesses alheios à empresa e, frequentemente, a esconder a responsabilidade real de quem os indicou.
As estatais tornaram-se, em muitos casos, instrumentos de manobra, sustentadas pelo Tesouro Nacional mesmo quando deficitárias, gerando prejuízos bilionários ao erário e ao contribuinte.
Esse é o verdadeiro déficit das estatais: não apenas financeiro, mas ético e gerencial.
Como corrigir esse ciclo vicioso?
Analista colaborador do Resumo Política







