O universo, dizem os físicos, não para de crescer.
Desde o primeiro instante — aquele sopro inicial que chamaram de Big Bang — ele se estica, se alonga, se espalha, empurra tudo para mais longe, como quem abre os braços para caber mais.
As galáxias se afastam umas das outras. As estrelas viajam para os confins do desconhecido. Tudo se move. Tudo se expande. O universo não aceita ficar do mesmo tamanho. Nunca aceitou.
Curioso. Porque, no fundo, a alma da gente também não.
O que somos hoje é bem maior do que já fomos um dia. Cada dor, cada amor, cada perda, cada recomeço, cada susto e cada vitória vão esticando as bordas do que a gente é. A cada encontro, a cada escolha, a cada não que ouvimos e a cada sim que oferecemos, algo dentro da gente cresce. Se amplia. Se reorganiza.
Expandir não é só crescer. É se afastar, às vezes. É se soltar de alguns centros, de alguns lugares, de algumas pessoas. Assim como as galáxias se afastam para dar espaço ao próprio movimento, também nós, vez ou outra, precisamos deixar ir — e ir nós mesmos — para que a vida continue cabendo na vida.
O problema é que crescer dói. Dói sair do conhecido. Dói abandonar velhas órbitas. Dói olhar para trás e perceber que não cabemos mais no que um dia parecia confortável. Mas não crescer dói mais. Ficar parado dói mais. Encolher, sufoca.
A expansão, no fundo, é o jeito que o universo encontrou de não se deixar apagar. E, talvez, seja também o jeito que a alma encontrou para não morrer de tristeza, de tédio ou de medo.
Por isso, às vezes, sem perceber, a vida nos puxa. Nos empurra. Nos arrasta para fora de onde estávamos. E, quando percebemos, já somos maiores. Mais largos por dentro. Mais cheios de mundo. Mais capazes de carregar histórias, afetos e sonhos.
O universo não para de crescer. Nem a gente.
E quem tenta impedir essa expansão — seja do corpo, da mente ou da alma — corre um risco grave: virar buraco negro. Daqueles que só sugam, que só puxam, que só prendem… e que acabam engolindo a si mesmos.
Expandir é viver. E viver, no fim, é nunca mais caber no que um dia fomos.
Analista colaborador do Resumo Política







