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EFEITO DEMONSTRAÇÃO NA GESTÃO PÚBLICA👇

O Discurso e a Caneta

resumopolitico by resumopolitico
21 de julho de 2025
in Destaque, LUPA, um olhar crítico de quem viveu na coxia
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Ensaio sobre 80 anos de conduta política em Alagoas

Tenho 80 anos e na memória carrego mais do que lembranças: carrego vozes, palanques, promessas, decretos, esperanças e frustrações. Vi ao longo dessas oito décadas, 16 homens – 4 deles no período revolucionário – ascenderem ao cargo de governador de Alagoas. Muitos chegarem com ares de redentores, uns poucos como possíveis gerentes eficientes. Alguns falarem com o coração do povo; outros, com os números do mercado. Cada um à sua maneira buscando legitimar-se pelo discurso, e depois consolidar-se com a caneta. Por justiça a história há de registrar que dois governadores, Afrânio Lages e Guilherme Palmeira, ambos conservadores no período revolucionário, fizeram mais do que prometeram – até porque não havia campanha.

Não há eleição que não seja movida por discurso. Mas o que me instigou ao longo desses anos — e que hoje compartilho como reflexão — foi tentar entender a lógica que move os eleitores alagoanos como uma espécie de ordem silenciosa, quase como uma lei natural de alternância. É como se, a cada ciclo, o povo se cansasse de um modelo e buscasse uma alternativa. Um governante que se mostra conservador é quase sempre sucedido por outro com perfil progressista e popular. Foi com o discurso dirigido a “ poeira de ouro “, eleitorado pobre, que Silvestre Pericles, conservador e intolerante, derrotou Rui Palmeira com perfil reformista e, Muniz Falcão com sua midiática passagem pela Delegacia Regional do Trabalho, encantou o eleitorado pobre para derrotar o conceituado e conservador Afrânio Lages na sucessão a Arnon de Mello.

Essa alternância entre discursos antagônicos não é uma particularidade de Alagoas, mas aqui ela se dá com uma precisão quase matemática. Só há exceção quando conservadores espertos se passam por progressistas e roubam a preferência do eleitorado de baixa renda. Os conservadores assumem o poder prometendo austeridade, modernidade, infraestrutura. Falam de estradas, hospitais, escolas, abastecimento d’água, escolas como produtos. Seus discursos focam nos empresários, nos altos servidores, e nos formadores de opinião. São, quase sempre, vistos como “competentes”, “gestores”, “responsáveis”. Já os progressistas surgem em momentos de desgaste ou desigualdade aguda. Prometem justiça social, valorização do servidor, combate à pobreza, e se apresentam como “humanistas”, “populares”, “filhos do povo”, “ salvadores da pátria “.

Essa dança de turnos entre dois estilos — conservador e progressista — tem sido a espinha dorsal da política estadual. Mas há um ponto ainda mais sensível que tenho observado: a desfaçatez de quem se diz progressista na campanha e exerce o mandato em desacordo com o discurso. E é aqui que mora a tragédia. Houve momentos em que candidatos conservadores, percebendo o apelo social da linguagem popular, se travestiram de progressistas apenas para vencer. E, uma vez eleitos, mostraram-se fiéis apenas aos seus interesses pessoais e à próxima campanha. Esse foi o comportamento que elegeu Fernando Collor – após prefeito de Maceió e Deputado Federal com apoio conservador – prometendo reforma agrária nas ricas terras das usinas e fez exatamente o contrário assinando um acordo que isentou o setor de pagar ICMS e ainda deu crédito compensatório para empresas correlatas. Esse fato destruiu o equilíbrio fiscal do estado que nunca mais voltou a encontrar. Isso gera um efeito perverso: o eleitor acredita que votou num projeto justo e inclusivo, e acorda num governo arbitrário excludente.

Essa incongruência entre o discurso e a prática é, na minha leitura, a mais destruidora arma eleitoral. O político que consegue dissimular suas verdadeiras intenções, camuflando-se de defensor do povo enquanto protege os privilégios de poucos, vence pela farsa. E, uma vez no poder, governa com a frieza de quem não deve satisfação a quem lhe deu o voto. Essa lógica se repetiu mais de uma vez. E toda vez que ocorreu, o povo demorou a perceber. Porque o que se prometeu em voz firme no palanque não encontra espelho na frieza da caneta.

Por outro lado, houve também aqueles que não prometeram muito, mas entregaram com coerência. Foram governos silenciosos, sem alardes, mas consistentes. Alguns progressistas, outros conservadores. A chave, nesses casos, foi a honestidade do discurso e a otimização das circunstâncias ao longo do mandato. Quando o que se promete está alinhado ao que se pode fazer — mesmo que seja pouco — o povo compreende e aceita. O problema está quando se promete o impossível com intenções ocultas. A caneta, neste caso, não escreve compromissos; apenas rasura a esperança.

Outro ponto importante na análise desses 80 anos de observação política é o papel da elite local na condução dos projetos de poder. Em Alagoas, como em muitos estados nordestinos, as elites sempre exerceram papel decisivo — seja no financiamento das campanhas, seja na influência sobre os meios de comunicação, seja na montagem dos apoios institucionais. A alternância a que me refiro não é entre ideologias puras, mas entre estilos de sedução do eleitorado, muitas vezes patrocinados pelos mesmos atores. Isso explica por que, embora mude o discurso, o núcleo do poder permanece intocado.

Em algumas candidaturas conservadoras, a incongruência do discurso visa agradar a base e após eleitos, proteger o topo da pirâmide. Em governos progressistas, por incrível que pareça, o comportamento é semelhante, o discurso se volta à base — mas raramente concebem políticas capazes de gerar riqueza que seja usufruída pelos pobres. Quando muito, alcança a miséria. Fala-se muito em povo, mas governa-se para poucos. Geraldo Bulhões sucedeu Collor, já presidente, com discurso progressista sendo ultra-conservador. São essas atitudes que, enganosamente, contrariam a alternância do poder. Assim, mesmo os progressistas que assumem com discurso de transformação e se veem arrastados pelos encantos do poder e atalhos da riqueza sucumbem no pleito seguinte.

Não quero aqui cair no pessimismo. Ao contrário, creio que entender essa lógica — essa dança entre a palavra e o ato — é o primeiro passo para romper o ciclo da ilusão. O eleitor precisa aprender a ouvir além do som, a distinguir entre o discurso estratégico e a convicção verdadeira. Precisa observar se o candidato tem história compatível com as palavras que profere. Comparar oportunidades anteriores e checar o que fez delas. Se os que o apoiam combinam com aquilo que promete.

Em síntese, a política em Alagoas nestes 80 anos pode ser resumida como um ciclo de promessas e decepções, pequenos acertos e grandes recaídas, alternância e continuidade disfarçada. O discurso e a caneta caminham juntos, mas nem sempre na mesma direção. Um convence; o outro decide. Um seduz; o outro governa. E é nessa interseção — entre a palavra e a prática — que a democracia corrige atitudes políticas enganosas.

Se queremos melhorar o futuro, precisamos começar por aqui: exigindo o fim do voto do analfabeto, vulnerável e incapaz de diferenciar a verdade da mentira, fazer com que o discurso deixe de ser fantasia e que a caneta seja coerente com a palavra empenhada. Só assim, quem sabe, o povo deixará de ser iludido e passará a ser representado de fato — e não apenas usado como degrau entre a ambição pessoal e o poder de Estado.

RUI GUERRA
Analista colaborador do Resumo Política
“as opiniões emitidas por nossos colaboradores, não refletem, necessariamente, a opinião do site”
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