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EFEITO DEMONSTRAÇÃO NA GESTÃO PÚBLICA👇

Santo nem degenerado: bastariam mais Guilhermes no mundo

resumopolitico by resumopolitico
31 de julho de 2025
in Destaque, LUPA, um olhar crítico de quem viveu na coxia
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A vida pública brasileira, marcada por extremos entre a demagogia e a frieza tecnocrática, sempre careceu de figuras que transitassem com dignidade entre a ética e a eficácia. Em meio a esse cenário, poucos nomes conseguem sustentar, ao longo do tempo, a admiração de diferentes gerações, ideologias e segmentos sociais. Guilherme Palmeira foi um deles. Não por ser santo — longe disso —, tampouco por ser isento de erros, mas exatamente por reconhecer, com lucidez e serenidade, as limitações humanas e, ainda assim, oferecer à política um raro exemplo de coerência, dignidade e espírito público.

Conheci, ao longo da vida, políticos de todas as nuances: os bem-intencionados que nunca compreenderam o jogo do poder; os hábeis que trocaram qualquer princípio por um voto a mais; e os que, iludidos pela ideia de pureza, serviram apenas para serem usados e descartados. Nesse panorama, a ingenuidade nunca prospera. Ser puro em excesso é o caminho mais curto para a irrelevância. Ser esperto demais, o atalho para a degeneração moral. Guilherme Palmeira, no entanto, construiu uma trajetória política que se recusou a ser enquadrada nesses polos. Ele não foi nem santo nem degenerado — e talvez por isso tenha sido tão grande.

Homens vitoriosos na política não são aqueles que evitam o erro, mas os que sabem enfrentá-lo, superá-lo e, sobretudo, não se deixarem corromper pela tentação do cinismo. Guilherme sabia que o poder é feito de escolhas difíceis, mas nunca deixou que o pragmatismo o afastasse da sua formação humanista. Não romantizava o cargo, mas também não aceitava banalizar a função pública. Seu exemplo se impõe não por um acervo de frases de efeito, mas por uma vida dedicada à política como missão, e não como mercado.

A política brasileira é cruel com quem deseja fazer o bem com seriedade. Os ingênuos são destruídos; os honestos demais, desprezados; os que ousam pensar no futuro, desautorizados pelos que só enxergam a próxima eleição. Nesse ambiente, Guilherme foi exceção. Governou com equilíbrio, enfrentou os desafios de sua época com coragem e deixou marcas institucionais e éticas que resistem ao tempo. E o fez sem jamais se render ao populismo fácil ou à vaidade de parecer impoluto.

Foi um político que sabia ouvir. Sabia acolher. Mas também sabia dizer não. Não tinha medo de desagradar, quando era necessário contrariar o interesse de poucos para proteger o bem de muitos. Tinha no olhar uma autoridade serena, firme, que dispensava o grito. Sua palavra tinha peso não por força de cargos, mas porque era sustentada por uma vida coerente. Era respeitado tanto pelos adversários quanto pelos aliados — um feito raro, quase extinto na política contemporânea.

Não é fácil ser exemplo sem parecer moralista. Guilherme foi. Sem carregar bandeiras ideológicas rígidas, foi progressista no que diz respeito à justiça social, conservador na defesa das instituições, liberal na valorização da responsabilidade fiscal e profundamente republicano no trato com a coisa pública. Talvez por isso tenha sido um político completo. Alguém que sabia negociar sem se vender, ceder sem se render, construir sem se autopromover.

A política não é feita para santos, mas também não pode ser dominada pelos degenerados. O ideal é que seja conduzida por pessoas como ele: com defeitos, mas com consciência; com ambições, mas com limites; com pragmatismo, mas sem cinismo. Guilherme Palmeira foi, talvez, o último dos grandes articuladores morais da política regional — alguém que não se apequenou nas intrigas locais nem se deslumbrou com os holofotes nacionais.

Em sua trajetória, jamais deixou que o poder o desfigurasse. Manteve os mesmos amigos, os mesmos hábitos e os mesmos princípios. Mesmo quando poderia ter cedido ao conforto de uma carreira mais egoísta ou mais populista, preferiu manter a linha que sempre guiou sua vida pública: a da sobriedade, do compromisso e do exemplo.

Não foram poucas as vezes em que recusou atalhos. E também não foram poucas as vezes em que foi traído por aqueles a quem ajudou. Mas nunca revidou com ódio. Nunca buscou vingança. Preferia o silêncio respeitoso à verborragia dos ressentidos. Preferia a retirada digna ao confronto inútil. Era, em essência, um político de alma rara.

Hoje, quando vejo tantos jovens se afastando da política por desencanto, ou se aproximando dela apenas por interesses pessoais, penso o quanto seria útil que conhecessem a história de Guilherme Palmeira. Não para endeusá-lo — ele mesmo não permitiria —, mas para entender que é possível, sim, fazer política com grandeza, sem precisar ser perfeito nem infalível.

Se o Brasil tivesse mais Guilhermes, talvez o serviço público fosse mais respeitado, a política mais valorizada e o povo menos descrente. Não se trata de nostalgia, mas de reconhecimento: sua ausência é sentida não só por quem o conheceu, mas por todos os que ainda acreditam que a política pode ser, apesar de tudo, um caminho de construção coletiva e não apenas de ambição pessoal.

Ele viveu como homem comum, pensou como estadista e agiu como servidor. Guilherme Palmeira foi, em suma, o maior de todos não porque venceu mais eleições, mas porque, mesmo tendo poder, nunca perdeu a medida de sua humanidade. Entre a santidade inatingível e a degeneração rasteira, ele escolheu o caminho mais difícil — o da integridade.

É esse o exemplo que nos deixa. E é esse o vazio que nunca será preenchido por discursos nem homenagens. Porque gente como ele não se improvisa. Se constrói, passo a passo, com coragem, consciência e convicção.

Por isso, repito sem receio: bastariam mais Guilhermes no mundo.

 

RUI GUERRA
Analista colaborador do Resumo Política
“as opiniões emitidas por nossos colaboradores, não refletem, necessariamente, a opinião do site”
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Comments 1

  1. Pedro Oliveira says:
    7 meses ago

    Parabéns , meu caro Rui
    Nunca, em tempo algum, li um texto com tanta fidelidade à verdade , como este seu para o nosso líder Guilherme Palmeira . Você não apenas descreveu, mas fez uma fotografia com a maior autenticidade sobre este incomparável político alagoano .
    Você sim, tem autoridade maior para escrever essa peça literária sobre uma pessoa com a qual conviveu intensamente. Bem sei o quanto Guilherme lhe admirava e não exagero em dizer que era uma das pessoas que ele mais confiava o íntimo de sua vida e em sua trajetória, Não se consegue também medir o quanto você o ajudou no trabalho, na política, no conselho amigo e nas inúmeras missões que fez você portador . O reconhecimento ao seu maior líder mostra também muito do seu caráter , mas por toda a vida o seu nome será sempre lembrado como uma pessoa de caráter e inteligência, que muito colaborou no caminhar vitorioso de Guilherme Palmeira. Sou testemunha ocular desse fato .

    Responder

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