Pedro Oliveira escreveu com sobriedade. Fez o que se espera de um jornalista: pensou antes de bater na máquina. Não inventou mitos, não embelezou cadáver. Falou de José Roberto Guzzo com o respeito que se deve a quem trabalhou bem.
Guzzo não era homem de festa nem de puxa-saco. Escrevia limpo. Com clareza e raiva. Dizia o que precisava ser dito, mesmo quando não agradava. Conservador, sim. Mas desses que ainda sabiam o que queriam conservar.
Pedro entendeu isso. Não passou pano, não confundiu conservadorismo com fanatismo. Disse com todas as letras: Guzzo não embarcou no bolsonarismo. Não por birra, mas por coerência. Não via ali coisa boa. E se não é bom, não se conserva. Ponto final.
O artigo tem valor porque escapa do oba-oba. Não joga confete, não tem floreio. Respeita o morto, mas não o transforma em estátua. Mostra que Guzzo era firme, mas não cego. E que o conservadorismo dele não era de grito nem de farda. Era de juízo.
Num tempo em que muita gente berra e pouca gente pensa, lembrar Guzzo faz bem. Pedro lembrou com precisão. Sem exagero, sem firula. Escreveu certo.
E isso, hoje, já é raro. Raríssimo.
Texto de João Aderbal
Médico e escritor







