Novo espaço acolhe idosos em situação de vulnerabilidade com moradia, cuidados de saúde e projetos de integração social
Em Maceió, um espaço que antes estava em ruínas hoje renasce como símbolo de dignidade e cuidado. A Cidade da Pessoa Idosa foi criada para acolher homens e mulheres a partir dos 60 anos que viveram situações de abandono, negligência ou violência. No local, eles encontram moradia, saúde, lazer e, principalmente, a oportunidade de reconstruir vínculos e manter o sentido de pertencimento.
O prédio, localizado na Praça Ciro Acioly, no bairro de Ponta Grossa, foi totalmente revitalizado e hoje oferece moradia digna, atendimento de saúde, atividades de lazer, convivência e acolhimento. O espaço funciona como residência permanente, com atendimento 24 horas, e já começa a transformar a vida de ofertas de idosos.
Segundo o coordenador geral do espaço, Djani Pacheco, a maioria dos moradores chega após enfrentar situações de abandono ou violência. “Aqui eles contam com equipe multiprofissional, alimentação, segurança, lazer e atividades culturais. Nosso objetivo é resgatar a autonomia e oferecer dignidade”, afirmou.
A assistente social Elitânia Lins explica que, além da colhida inicial, a equipe atua para reaproximar os idosos de suas famílias e garantir direitos básicos. “Buscamos fortalecer vínculos, restabelecer documentos e garantir benefícios, para que cada pessoa tenha sua cidadania respeitada”, destacou.
Entre os corredores coloridos e ambientes preparados para receber bem, surgem histórias que emocionam. Ademilda Pereira de Assis, 76 anos, vive no local há quase um ano e fala com carinho sobre o cuidado recebido: “Aqui eu sou bem cuidada, tomo meus remédios certinho e recebo toda a atenção que preciso”, conta, exibindo as unhas bem feitas, sinal de sua vaidade. Com esperança no futuro, ela aguarda a cirurgia de catarata que deve devolver sua visão. “O meu maior sonho é voltar a enxergar. É nisso que eu penso todos os dias”, diz emocionado.
Outro morador, Álvaro Sotério, 78 anos, registra com leveza parte de sua história e celebra o acolhimento que recebe no espaço. “Eu quase me formei em medicina, cheguei até o terceiro ano; eram horas de estudo, era puxado”, lembra, entre risos. Hoje, orgulha-se da convivência que tem com a equipe: “Estou muito feliz aqui. Gosto muito do fisioterapeuta William, a gente conversa, eu adoro isso”. A fala de Álvaro traduz a sensação de acolhimento e o reencontro com pequenas alegrias do dia a dia.
Atualmente, a Cidade da Pessoa Idosa tem capacidade para 35 moradores e já acolheu 18. O acesso pode se dar por encaminhamentos do CRAS, Ministério Público, serviços de saúde, demandas de famílias ou até propostas feitas diretamente pelos idosos.
Além da moradia e cuidados diários, o espaço também desenvolve projetos de reinserção social e cultural. Entre eles, uma parceria com a Universidade de Pernambuco para oferecer alfabetização aos moradores e atividades periódicas realizadas pelas artesãs do CRAS, que promovem oficinas manuais no espaço.











