Desde pequena ouço dizer que a Justiça dos homens é lenta. E para comprovar tal afirmação, como servidora pública acompanho processos e vejo a realidade nua e crua.
Sempre que somos prejudicados na entidade onde trabalhamos, temos o direito de reclamar administrativamente, solicitando a solução do caso. Entretanto, na maioria das vezes, os dirigentes demoram muito para responder ou engavetam o processo, pois sabem que após trinta dias, o requerente pode ir à Justiça. Para eles, os donos da Casa, é melhor, pois são anos de espera, aguardando a solução.
Quando comecei a trabalhar, podíamos entrar com Mandado de Segurança, se o caso tratava de salário. Era bem mais rápido. Hoje, não é mais assim. Recentemente, um advogado me informou que um processo de 1985 estava sendo concluído. Ou seja, são quarenta anos de espera!
Lembro-me que, com doze anos, ajudava o meu pai em processos administrativos e a solução vinha logo. Um moço, amigo nosso, foi injustamente acusado de roubo, no antigo SAPS. Em menos de um ano foi absolvido e recebeu os salários de volta. Ficou eternamente grato ao Auditor Fiscal, meu pai.
Trabalhei como sindicalista durante muitos anos e tentava ajudar os companheiros quando eram injustamente prejudicados. Poucas vezes, ou quase nunca conseguia solucionar algo administrativamente. Então, depois que o Legislativo descobriu a lentidão da Justiça, aconselha judicializar o que está sendo reclamado.
Tudo muda quando o reclamante é parente ou amigo de deputado. Certa vez, encontrei duas mulheres na Praça da Catedral. Dirigiram-se a mim e disseram que seus salários tinham sido cortados. Perguntaram: “O que devemos fazer?” Respondi: Conhecem algum Deputado? Elas responderam: “Sim, o Presidente. Era amigo do meu marido que já morreu”. Lembrei-me do parlamentar falecido. Era um homem bem valente, do sertão, famoso e temido. Pois bem, disse eu, vá ao Presidente e conte sua história. Ela, a viúva, foi à autoridade e relatou o fato. Teve o salário de volta e no mesmo dia, recebeu que dela tiraram.
Quem sempre me ajudou em casos de injustiças foi o Deputado José Bernardes. Muito humano. Não perseguiu ninguém. Quando tínhamos a Golden Cross e a ciranda financeira não permitiu que os companheiros pudessem pagá-la, fui a ele e contei tudo. Ele nos ajudou a fundar a COPAMEDH, nosso plano de saúde, de saudosa memória. Além disso, resolveu vários problemas criados pela inadimplência, inclusive o caso de um servidor ameaçado de perder a casa que possuía. Deus o tenha em bom lugar!
Tenho saudades do tempo em que os dirigentes eram acessíveis e nos ajudavam a resolver problemas corriqueiros. Hoje, para falar com um simples Diretor ou um Procurador é uma longa novela. Eles vão à Assembleia quando querem e só recebem o servidor reclamante se houver um padrinho no circuito. Para chegar à Mesa Diretora é outro drama. São homens vaidosos que prejudicam os servidores.
O quadro de ativos do Poder Legislativo está encolhendo e o de comissionados, crescendo. Não se fala em concurso público; ativos, juntos com os inativos, são vítimas das maldades dos poderosos. O motivo de tudo isso é que os comissionados obedecem rigorosamente à Mesa Diretora.
Esquecem os nossos dirigentes que não só existe a Justiça dos homens. A mais eficaz mesmo é a Justiça de Deus. Lá de cima, Ele está vendo o sofrimento dos servidores do Legislativo: Perseguição, processos engavetados, diretores maldosos.
Quem faz aqui, paga aqui mesmo!
Deus existe! Não duvidem!
Alari Romariz Torres
É aposentada da Assembleia Legislativa
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