Convivi por mais de 40 anos numa casa política e o que mais me incomodava era a vaidade de homens e mulheres que se elegiam deputados. De repente, mudavam o comportamento, se achavam inatingíveis e mal pisavam no chão.
Recentemente, no Carnaval, uma Escola de Samba do Rio de Janeiro resolveu homenagear o Lula. A publicidade foi grande. Só houve um esquecimento: o ano é eleitoral. A presidente do TSE veio às redes sociais para abrir os olhos do homenageado, lembrou ao moço que corria riscos de se tornar inelegível. Ele não ouviu. Deixou o barco correr e chegar o dia em que viraria astro de novela.
Nas redes sociais, juristas e pessoas normais falaram no assunto e alertaram ao moço pernambucano, que algo de ruim poderia acontecer. Ele não ligou e continuou sonhando com o grande dia.
Chegou, enfim, o Carnaval e no domingo, a Escola de Samba desfilou. Contou a vida de Lula, falou mal das famílias e criticou a oposição. Um fracasso!
O moço feliz estava acompanhado de vários ministros que não desfilaram. Parecia um filme do tempo de Herodes, onde os eunucos ajudavam na participação da festa e bebida e comida eram fartas.
O samba-enredo foi horroroso e o desfile aconteceu sem muita alegria. Por trás da fisionomia dos possíveis candidatos nas eleições deste ano havia o medo de se tornarem inelegíveis.
Enfim, o Lula deu um “tiro no pé”, a escola ficou em último lugar e foi rebaixada para um nível inferior. Vamos esperar o julgamento do TSE para os possíveis candidatos.
Por outro lado, outra Escola de Samba, a Unidos do Viradouro resolveu homenagear o mestre Ciça, cujo prenome é Moacyr. Homem simples, do quadro da Escola que já foi Diretor de Bateria. Um sucesso!
Começou pelo samba-enredo, bom, muito bom. Tudo muito ensaiado, de pessoas felizes e o Mestre Ciça, no meio do povo, cantando e dançando.
A Viradouro foi a primeira colocada no desfile do Rio de Janeiro porque fez uma homenagem sem bajulação e sem atacar ninguém.
Moral da história: o político não tem a ver com Escola de Samba. Ministro do Estado não precisa desfilar no Carnaval. A primeira-dama precisa conhecer pessoas como Ruth Cardoso e Lu Alckmin, mulheres que souberam desempenhar o papel que lhe foi designado.
O Carnaval passou e ficou a lição: O mestre Ciça fez mais sucesso do que o Lula.
A humildade é coisa rara no ser humano. Político humilde e discreto não existe mais. Não conheço nenhum. Basta ser assessor de deputado ou vereador e a pessoa já fica vaidosa.
Nos aeroportos do Brasil encontramos amigos que exercem altos cargos, trancados nas “salas VIP”.
Vem agora à continuação da novela: quem vai ser punido? O dinheiro público que foi para a Escola do Presidente vai voltar? Com a palavra a ministra Carmen Lúcia. Quero ver se ela tem coragem de punir os políticos que estavam no Carnaval fazendo propaganda.
Que tudo narrado neste artigo sirva de exemplo para Presidentes, Senadores, Deputados e Vereadores. Na vida tudo passa. Hoje, você é Presidente, amanhã será um simples mortal. Encontro com pessoas que já foram muita coisa e perderam tudo.
E o Brasil continua descendo a ladeira. Não há punição para as grandes figuras.
Viva o Mestre Ciça!
Alari Romariz Torres
É aposentada da Assembleia Legislativa
“as opiniões emitidas por nossos colaboradores, não refletem, necessariamente, a opinião do site”




