Faz dez anos que temos um bom padre em Paripueira. Homem bom, inteligente, empreendedor e caridoso.
Desde que chegou aqui sofreu perseguições políticas. Até o terreno ao lado da igreja foi motivo de briga. Uma sessão pública na Câmara dos Vereadores aconteceu para tomar o tal terreno. A Prefeitura queria fazer, ao lado da Igreja de Santo Amaro, um terminal de ônibus. Mas o padre venceu!
Todos os anos, na festa do padroeiro, era uma luta com os políticos. A Prefeitura ajudava, queria aparecer sozinha. No Carnaval, até no horário das missas, havia interferência política.
O padre resistiu, mas foi adoecendo. Por fim, um grupo de católicos ligado aos políticos foi fazer denúncias tolas ao Arcebispo. Aí é que o pobre pároco perdeu as forças e ficou mais doente. A perseguição dói na alma da vítima!
Quem conhecia a Igreja de Santo Amaro antes do Padre Lídio e tem a oportunidade de visitá-la agora nem a reconhece. Está linda!
A Casa Paroquial, que estava caindo quando nosso pároco chegou em Paripueira, foi reconstruída. É lá que acontecem as aulas da catequese das crianças, jovens e adultos e recebe as pessoas que nos visitam.
Se formos falar nas obras sociais do Padre Lídio, nosso espaço seria pouco. Visita os doentes, celebra a missa na periferia da cidade, reconstrói casas caídas nas enchentes. Faz o casamento de pessoas que viviam juntos durante muitos anos. Batiza e faz a Primeira Eucaristia de adultos e crianças
Todos os domingos entra na missa um homem especial que é ajudado pelo Padre. Apesar do barulho que ele faz é recebido com carinho e procura um lugar para sentar. É emocionante!
Outro fato interessante que via na missa era ele abençoando na fila da comunhão pessoas que não comungavam. Na festa de Santo Amaro víamos as mesmas criaturas recebendo a primeira comunhão.
Foram dez anos santos em Paripueira quando nosso pároco era o Padre Lídio! Como amigos, acompanhávamos o sofrimento do Homem de Deus.
Por muitos meses rezou missa aos domingos, em nosso condomínio. Queria construir uma igreja em nosso loteamento. O apoio foi pouco! Só alguns casais aderiram ao projeto do Padre. Ele desistiu. Deixou tudo nas mãos de Deus! Mais um fato político!
Até os cantores que iam às missas para alegrarem a comunidade, faltavam de propósito, para obedecer aos políticos. Nós, da comunidade, cantávamos com o Padre Lídio, que por sinal, tem uma linda voz. E nada reclamava, nem deixava transparecer a tristeza!
E assim se passaram 10 anos: muita luta, muita decepção. Como Deus é pai, nosso amigo reagiu, mas teve muitos amigos que tentaram ajudá-lo, e lutou, como filho de Deus, para não decepcionar os dirigentes da Igreja Católica que não o apoiaram nos momentos tristes.
Vai o Padre Lídio para a União dos Palmares, terra de Santa Maria Madalena. Espero que os políticos de lá não o maltratem. Trabalhem junto com ele para o bem da cidade.
Vem para a nossa cidade o Padre Valdo Omena. Já vi político elogiando-o. Não o conheço. Mas os católicos de boa fé esperarão por ele de braços abertos.
Antes mesmo de o Padre Lídio nos deixar, estamos tristes, mas sabemos que em sua nova morada será mais feliz do que o foi aqui.
Para nós, o nosso pároco era um bom amigo, sempre nos visitou, sempre nos abençoou e, de vez em quando, almoçava conosco. Passávamos a tarde conversando e apoiando o homem santo.
Vá com Deus Padre Lídio!
Alari Romariz Torres
É aposentada da Assembleia Legislativa
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