Entramos em 2022. Saímos de uma tempestade de dois anos. A pandemia mudou a vida de todos nós. O aconchego familiar sofreu duras mudanças. Reunião com amigos tornou-se difícil. Foi uma modificação muito grande no mundo todo.
Quando pensávamos que chegaríamos a uma nova vida, apareceram outros vírus; gripes diferenciadas. E a corrida aos hospitais se intensificou.
Só nos resta rezar e torcer pelo surgimento de melhores dias; que a máscara não se torne obrigatória e possamos abraçar fortemente amigos e parentes.
Estivemos no Rio de Janeiro e vimos uma população assustada com gripes e covid. Após cada balada havia um número imenso de jovens infectados. Os locais de teste para as viroses estavam sempre lotados. Filas de duas, três horas de espera. As notícias da imprensa atemorizam a população. Ninguém abraça ninguém. É um mundo cão!
No avião, se alguém espirra, todos ficam alerta. Deixar a aeronave depende da ordem da comissária para saírem de cinco em cinco fileiras. O avião fica parado mais de meia hora até que todos desembarquem. Os passageiros ficam inquietos. Não se conhece ninguém com a tal da máscara.
Graças a Deus, chegamos ao Nordeste e em Paripueira, Santo Amaro nos esperava. São nove dias de orações, encontro com amigos, Missas, cantorias, guloseimas variadas e Nosso Padroeiro olhando por sua cidade.
Viajar é bom, mas chegar em casa é melhor! O sangue nordestino é forte: Sentimos falta do cheiro do mar, do vento das Alagoas e do carinho dos amigos. É gratificante sentir a casa cheirosa, os empregados ansiosos para comprovarem que desempenharam suas tarefas com responsabilidade.
O mais importante da viagem foi ter juntado os quatro filhos, contar com duas filhas, duas verdadeiras cuidadoras. Nunca me senti tão vigiada: ”Mãe, olhe o degrau”, diz uma; “deixe que eu faço o seu prato”, diz a outra. E complementa no dia seguinte: “Dormiu bem”? “Tomou os remédios”? E eu, satisfeita, passando por uma idosa bem obediente!
Sinto nisso tudo a lei do retorno. Eu e meu marido criamos os quatro filhos vivendo em lugares diferentes. Investimos na educação, saúde, cordialidade e amor, muito amor. Hoje, viramos quase crianças, somos controlados pelos filhos, vivendo bem, dentro do conceito de idosos.
Uma amiga minha se irrita quando falo nos “velhinhos da Assembleia”. “Pare com isso”, diz ela, “não somos velhos”. Mas como uma senhora de 80 anos pode se sentir jovem? Os limites são muitos. Não podemos correr, dormimos muito pouco, devemos comer bem, beber qualquer tipo de álcool é quase proibido. O que mais me irrita é a “invisibilidade”. Estamos presentes, muitos conversam e nós precisamos “pedir tempo” para falar.
Em família, tivemos alguns sérios problemas em 2021 e descobrimos quem são os verdadeiros amigos. Mais uma lição para uma idosa consciente.
Com tudo isso, ainda vem a dura realidade: Como enfrentar a nova maneira de viver sem poder abraçar amigos, visitar parentes nos hospitais? Tudo que aprendemos durante a vida toda, não serve mais. Uma simples gripe acaba com o Natal, impede a celebração do Ano Novo.
“Cada um no seu canto, chora seu pranto”! Basta a criatura gripar, para se afastar de todos. Preocupo-me com a possibilidade de nós, eu ou meu marido, precisar ser internado e o outro não poder visitar. Vamos sofrer muito!
E assim chega o novo ano. Rezemos para Santo Amaro proteger os velhinhos, ensinar como viver de maneira diferente, como entender o afastamento dos familiares, como analisar a proximidade da morte. Tudo muito difícil, mas nada impossível!
Para todos um FELIZ ANO NOVO, com as bênçãos de Deus e a esperança de dias melhores.
Ele existe! Não duvidem!
Alari Romariz Torres
É aposentada da Assembleia Legislativa







