A sabedoria popular ensina aos Chefes de Governos para o ERRO de retornar delinquentes à gestão pública.
A trajetória política de Carlos Lupi confirma essa máxima com rara exatidão.
Dois escândalos em ministérios distintos, separados por mais de uma década, revelam o mesmo padrão de gestão permissiva, instrumentalização de estruturas públicas e ausência de controle efetivo.
No primeiro episódio, durante o governo Dilma Rousseff, Lupi caiu do Ministério do Trabalho após uma sucessão de denúncias. Reportagens da Revista Veja (edições de outubro e novembro de 2011), do O Globo e da Folha de S.Paulo revelaram o repasse de milhões a ONGs fantasmas por meio de convênios supostamente voltados à qualificação de trabalhadores, mas sem prestação de contas.
Também foi revelado que Lupi utilizou avião pago por empresário beneficiado com verbas da pasta — fato que ele inicialmente negou em audiência no Congresso, mas foi posteriormente desmentido (Folha de S.Paulo, 11/11/2011). Além disso, a CGU apontou pressões políticas sobre o conselho do FGTS e desvios no uso do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
Mesmo sem condenação judicial, o acúmulo de evidências e o desgaste público forçaram sua demissão em dezembro de 2011, em um dos momentos mais críticos do primeiro ano do governo Dilma.
Agora, em 2025, o roteiro se repete — só muda o palco.
No Ministério da Previdência, Lupi é novamente o epicentro de um escândalo que envolve fraudes bilionárias na concessão de benefícios previdenciários, com uso de sindicatos fantasmas, atravessadores e servidores públicos cooptados.
Segundo dados da Controladoria-Geral da União (CGU), da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, já foram confirmados R$ 6,3 bilhões em prejuízos aos cofres públicos.
Estimativas técnicas internas citadas por O Estado de S. Paulo (edições de março e abril de 2025) e pela CNN Brasil sugerem que o rombo pode ultrapassar os R$ 20 bilhões, à medida que novas investigações avançam.
Diante do agravamento das denúncias, Carlos Lupi pediu demissão HOJE, 02 de Maio de 2025, numa tentativa de conter os danos políticos ao governo Lula, que se prepara para enfrentar nova disputa eleitoral.
No entanto, o gesto deve criar um efeito inverso: a oposição avança com a busca de assinaturas para instalação de uma CPI da Previdência, que promete expor, em detalhes, o funcionamento do esquema, o papel de sindicatos apadrinhados e as omissões da alta cúpula do ministério.
A semelhança entre os dois escândalos é gritante — e não é coincidência.
Em ambos, Lupi operou dentro de estruturas públicas com baixo controle, excesso de apadrinhamento sindical e uso político de recursos sociais.
Em nenhum dos dois casos houve preocupação com governança, auditoria preventiva ou zelo com o patrimônio público.
Na iniciativa privada, qualquer CEO reincidente em episódios dessa natureza seria demitido com justa causa e investigado.
No setor público, a demissão de Lupi soa mais como manobra de contenção eleitoral do que como responsabilização efetiva.
Conclusão:
Carlos Lupi é, de fato, um “cesteiro político” — mas cada um desses cestos custou bilhões aos cofres públicos.
E a tentativa de encerrar discretamente o episódio fracassou.
Com a CPI em curso, o escândalo deve crescer, comprometer aliados e deixar uma marca indelével no governo que o sustentou.
Analista colaborador do Resumo Política







