Após sua aposentadoria, como ministro do Tribunal de Contas da União, Guilherme resolveu criar em Brasília uma banca de advocacia em sociedade com seu amigo de infância Humberto Gomes, ex-presidente do STJ.
Quando ia lá visitava-os e almoçávamos, sempre às Sextas-Feiras, no Piantella, seu restaurante favorito.
Nessa época, aos 70 anos, ele já sentias muitas dores na altura do quadril que lhe obrigava a tomar rotineiras doses de analgésicos e anti-inflamatórios. Na evolução, essas doses exigiam maior frequência dos remédios e ele resolveu investigar melhor. Orientado por um Ortopedista e Neuro-cirurgião optou por submeter-se a uma intervenção na coluna para tentar livrar-se das dores que, infelizmente, de nada adiantou. Em seguida foi orientado a procurar um médico para avaliar sua próstata que poderia ser a causa das dores.
Procurou Dr Miguel Srougi que sugeriu outra cirurgia para reduzir o tamanho da mesma já que a biópsia não indicava indícios que sugerissem outra providência médica.
Foi essa segunda cirurgia – identificou uma enfermidade mais grave – além da determinação para entregar seu apartamento funcional que lhe convenceram a voltar para Maceió. Passei a visita-lo três vezes por semana e quando as dores não perturbavam muito convidava-o para almoçar no Le Corbu, também às Sextas-Feiras, na companhia de Alberto Cardoso e outros amigos comuns. O alívio de suas dores não lhe dava trégua e ele passou a fazer fisioterapia, três vezes por semana para tentar melhorar seus movimentos de pernas – Guilherme na juventude teve uma “ paraplegia” decorrente de uma queda jogando futebol. Conversando com Suzana, sua esposa, e devido à pesquisas na internet, sugeri uma consulta a um Neurologista em Maceió no que ela concordou. Agendei e fomos ao Dr. Fernando Gameleira que fez uns exames complementares e mostrou -se animado com o tratamento recomendado que aliviou suas dores mas confirmou que Guilherme tinha um CA de Pâncreas e o acompanhamento seria para trazer conforto e nunca para erradicar a doença. Fizemos o que foi possível. Acompanhei de perto toda a evolução da sua enfermidade, mas na madrugada de 04 de Maio de 2020 Suzana telefonou comunicando seu lamentável falecimento.
Como última atitude comuniquei a seus amigos Jorge Bornhousen e José Jorge, a ocorrência, e com uma Coroa de Flores externei o sentimento d’aquele momento : “ Saudades eternas e gratidão infinita”.
Sofri, como se tivesse perdido um pai ou um filho, a maior das dores.
Analista colaborador do Resumo Política







