Lavoisier, o pai da química moderna, dizia com uma simplicidade desconcertante:
“Na natureza, nada se cria, nada se perde. Tudo se transforma.”
A frase atravessou séculos, continentes, gerações — e continua ecoando, muito além dos laboratórios. Porque ela não explica só a matéria. Ela explica a vida. Explica as relações. Explica, no fundo, a própria existência.
Tudo se transforma.
O amor que um dia foi paixão urgente, vira cuidado.
O cuidado que um dia foi presença constante, vira lembrança.
A lembrança que um dia parecia saudade, vira saudade boa.
E, às vezes, vira silêncio. Mas nunca desaparece.
As mágoas também seguem esse ciclo teimoso.
O que alguém te fez, o que te feriu, o que doeu lá atrás, talvez hoje não arda como antes. Mas não some. Vira camada. Vira cautela. Vira defesa. Ou, se você escolher, vira aprendizado. Vira força.
As pessoas que amamos também não somem. Nem quando partem. Nem quando se afastam. Elas se transformam em histórias, em trejeitos que imitamos sem perceber, em frases que repetimos, em conselhos que escutamos na memória, mesmo quando não há mais voz.
E até aquilo que perdemos — o tempo, as oportunidades, os encontros que não aconteceram — tudo isso se converte. Vira sede de viver melhor. Vira urgência. Vira escolha consciente. Vira sabedoria.
O universo inteiro funciona assim. A árvore que cai vira adubo. O corpo que morre vira pó, e do pó nasce flor. A estrela que explode espalha os elementos que formarão outros planetas, outros sóis, outras vidas.
Nós não somos diferentes.
Somos pó de estrela.
Somos restos de tudo que veio antes.
Somos a soma dos afetos que recebemos, das dores que suportamos, das alegrias que cultivamos, das escolhas que fizemos — e, sobretudo, daquilo que escolhemos transformar.
Por isso, quando alguém te disser que algo acabou, sorria.
Nada acaba.
Tudo vira outra coisa.
E que seja coisa boa.
Analista colaborador do Resumo Política







