• Home
  • Quem Somos
  • Contato
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
No Result
View All Result
  • Painel Brasil/Mundo
  • Alagoas
  • Opinião
  • Pílulas do Pedro
  • Arquivo Político
  • Política é uma Piada
  • Coluna Pedro Oliveira
Resumo Político
  • Home
  • Quem Somos
  • Contato
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
No Result
View All Result
Resumo Político
No Result
View All Result
Home Destaque
Ética judicial e a tentação do empreendedorismo

Ética judicial e a tentação do empreendedorismo

resumopolitico by resumopolitico
6 de fevereiro de 2026
in Destaque, Painel Brasil/Mundo - JUDICIÁRIO
0
2
SHARES
10
VIEWS
CompartilheEntre em contato

A defesa pública feita por Alexandre de Moraes e Dias Toffoli na abertura do ano-novo do judiciário, em torno do Código de Ética da Magistratura, especialmente quando relativiza restrições à atuação privada de juízes, revela mais do que uma divergência normativa. Ela expõe uma mudança de mentalidade sobre o que significa ser juiz em uma democracia moderna — e essa mudança não é trivial.

O cerne do argumento apresentado pelos ministros sugere que o magistrado teria o direito de se comportar, fora do exercício direto da jurisdição, como um empreendedor qualquer. A ideia, apresentada sob o manto da razoabilidade e da normalidade da vida civil, parece sedutora à primeira vista. Mas ela carrega uma inversão conceitual perigosa: trata o juiz como um profissional comum que, por circunstância, ocupa um cargo público de alta relevância, quando na verdade o juiz é uma função institucional permanente, cuja conduta privada nunca é inteiramente privada.

A magistratura não se sustenta apenas na técnica jurídica ou na correção formal das decisões. Ela se ancora, sobretudo, na confiança social. O poder de julgar, prender, absolver, anular atos de outros poderes e interferir diretamente na vida política e econômica de um país exige algo além da legalidade estrita. Exige respeito, e respeito nasce de distância, sobriedade e autocontenção.

É exatamente por isso que códigos de ética judicial, no Brasil e no mundo, não são instrumentos de conforto corporativo, mas mecanismos de proteção da própria Justiça. Eles existem para blindar o magistrado — e a instituição — da contaminação inevitável que surge quando interesses privados, relações econômicas e redes de influência se aproximam do exercício do poder jurisdicional.

Ao relativizar essas restrições, o discurso passa a tratar o Código de Ética como se fosse um entrave à liberdade individual do juiz. Essa leitura é equivocada na origem. A restrição não é punição, é condição do cargo. Não se exige menos do juiz porque ele é cidadão; exige-se mais exatamente porque ele deixou de ser um cidadão comum no sentido estrito.

Não há simetria possível entre juiz e empreendedor. O empreendedor atua sob risco próprio, busca lucro, estabelece relações de interesse e aceita a lógica do mercado. O juiz, ao contrário, deve se manter deliberadamente afastado dessas dinâmicas. Sua autoridade não decorre de sucesso econômico, networking ou capacidade de negociação, mas da percepção pública de imparcialidade absoluta. Mesmo quando essa imparcialidade é real, a simples aparência de conflito já é suficiente para corroer a legitimidade do sistema.

A história institucional demonstra que o Judiciário perde autoridade quando tenta se aproximar demais da normalidade social que julga. O juiz que frequenta ambientes de poder econômico, que mantém vínculos empresariais diretos ou indiretos, ou que se permite confundir com agentes do mercado, carrega consigo uma suspeita permanente. Não importa se nunca haverá corrupção comprovada. A dúvida, por si só, já cumpre o papel corrosivo.

O momento em que esse debate emerge agrava ainda mais sua gravidade. O Judiciário brasileiro enfrenta hoje um desgaste evidente de imagem. Acusações de ativismo, seletividade, personalização de decisões e privilégios acumulados alimentam uma percepção difusa de distanciamento da sociedade. Diante desse cenário, a resposta institucional esperada seria o aprofundamento das restrições éticas, maior transparência e reforço da autocontenção. O que se observa, porém, é uma defesa que soa corporativa, ainda que revestida de linguagem moderna.

Ao defender o direito do juiz de empreender, o discurso desloca o eixo da ética: em vez de perguntar o que a função exige do indivíduo, pergunta o que o indivíduo deseja preservar apesar da função. Essa inversão é sutil, mas devastadora. Instituições fortes são aquelas que moldam o comportamento de seus membros, não aquelas que se adaptam às conveniências pessoais de quem as ocupa.

Em democracias consolidadas, a magistratura aceita — e até valoriza — o fato de que o cargo impõe sacrifícios. O juiz abre mão de determinadas atividades, de exposição excessiva, de vínculos econômicos e de protagonismo social exatamente para ganhar autoridade moral. Esse pacto silencioso sustenta a confiança pública. Quando ele é rompido, o poder permanece, mas a legitimidade se esvai.

Há ainda um elemento simbólico incontornável. O juiz não “tira a toga” ao final do expediente. Sua figura pública é indissociável da função. Ao reivindicar para si uma liberdade equivalente à de qualquer empreendedor, o magistrado ignora que sua imagem projeta efeitos institucionais permanentes. A toga redefine a posição do indivíduo na sociedade, queira ele ou não.

No fundo, o debate sobre o Código de Ética revela um desconforto mais profundo com os limites do próprio poder. Mas limites são exatamente o que transformam autoridade em legitimidade. Sem eles, resta apenas a força formal da caneta e da decisão — e a história mostra que isso nunca foi suficiente para sustentar instituições respeitadas no longo prazo.

A Justiça não se fortalece quando flexibiliza seus próprios freios. Fortalece-se quando demonstra que está disposta a exigir de si mesma mais do que exige dos outros. O juiz que deseja se comportar como um empreendedor talvez não esteja cometendo um erro moral. Talvez esteja apenas ocupando a função errada.

Post Anterior

Maceió é um dos destinos mais procurados para o Carnaval 2026

Próximo Post

Quando o teto vira piso e o Legislativo normaliza o privilégio

resumopolitico

resumopolitico

Próximo Post
Quando o teto vira piso e o Legislativo normaliza o privilégio

Quando o teto vira piso e o Legislativo normaliza o privilégio

Descomplicando o diagnóstico com Raio X

A tolerância excessiva e o embrulho que cria

Alex Saab, coração e pedra no sapato de Maduro: quando o poder sobrevive ao fracasso

Alex Saab, coração e pedra no sapato de Maduro: quando o poder sobrevive ao fracasso

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Notícias Populares

  • Alexandre Fleming anuncia filiação à Unidade Popular e defende reorganização da esquerda em Alagoas

    Alexandre Fleming anuncia filiação à Unidade Popular e defende reorganização da esquerda em Alagoas

    2 compartilhados
    Compartilhados 1 Tweet 1
  • Eleições, quem perder o trem, não encontra outra estação

    1 compartilhados
    Compartilhados 0 Tweet 0
  • Infância, lei e responsabilidade judicial

    1 compartilhados
    Compartilhados 0 Tweet 0
  • Café na Fazenda debate impactos da Reforma Tributária para empresários

    1 compartilhados
    Compartilhados 0 Tweet 0
  • Comissão Mulher Segura e AMA alinham desenvolvimento de políticas para o combate à violência contra a mulher

    2 compartilhados
    Compartilhados 1 Tweet 1

Curta nossa Página

logoresumo

Atuando na imprensa brasileira por mais de 50 anos o jornalista PEDRO OLIVEIRA, cronista político respeitado por suas opiniões independentes e sua atuação sistemática em defesa da moralidade e da legalidade no campo da gestão pública é o editor principal deste blog de notícias.

Descomplicando o diagnóstico com Raio X

Chuvas, Encostas e Omissões: uma interpretação dos desastres brasileiros

24 de fevereiro de 2026
0
5

Todos os anos, entre fevereiro e março, o Sudeste revive o mesmo enredo. Chuvas intensas, encostas que cedem, casas soterradas,...

IPTU 2026 com 10% de desconto vence nesta sexta-feira (27); saiba como emitir as orientações

IPTU 2026 com 10% de desconto vence nesta sexta-feira (27); saiba como emitir as orientações

24 de fevereiro de 2026
0
3

A Secretaria de Fazenda orienta os contribuintes que precisam de ajuda para solicitar o boleto pelo WhatsApp ou e-mail; guias...

CONTATO RESUMO POLÍTICO:

Email: comercial@resumopolitico.com.br
Telefone: (82) 99904-7892
Endereço: Av. Fernandes Lima, 1513 – Sala 504 – Pinheiro

CEP: 57.054-450
Expediente Jornalístico:
Jornalista Responsável: 
Pedro Duarte de Oliveira

Analista Técnico: Manoel Rocha
Comercial:  Edgenes Vital – (82) 98703-0216

Administrativo: Wellington Moreira –  (82) 99904-7892
Expediente: 8h às 12h e das 14h às 18h.

© 2025 Resumo Político – desenvolvido por Neto Rocha (82) 99321-0509.

No Result
View All Result
  • Home
  • Quem Somos
  • Alagoas
  • Painel Brasil/Mundo
  • Arquivo Político
  • Coluna Pedro Oliveira
  • Opinião
  • Pílulas do Pedro
  • Política é uma Piada

© 2025 Resumo Político - desenvolvido por Neto Rocha (82) 99321-0509.

Login to your account below

Forgotten Password?

Fill the forms bellow to register

All fields are required. Log In

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In

Add New Playlist

Fale Conosco

Nós utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continua a usar este site, assumimos que você está satisfeito. Política de Privacidade
...