O tempo está encurtando e a Velha Senhora percebe que lhe restam poucos anos de vida. E as emoções vão se acumulando.
São várias frentes de luta e todas complicadas. Mas, Deus vai dando forças à velhinha para administrar tudo.
O mais importante no mês de abril foi não perder as eleições do “Velho Sindicato”, não o entregando para pessoas desavisadas, que não sentiam amor pela entidade. Foram quarenta dias de campanha, agressões verbais, xingamentos. Mas vencemos a batalha e amigos queridos vão tomar conta do patrimônio dos servidores do Legislativo das Alagoas.
O saldo da vitória foi pesado. Perdemos vários amigos, outros enxeridos se meteram onde não deviam, contudo não tiveram a mínima influência no resultado final e a grande vitória valeu a pena (66% dos votos).
Um grande abalo para a idosa é ver parentes e amigos adoecerem e ela não poder visitar, não poder ajudar. Só há uma solução: rezar, rezar e rezar.
A parte física é dolorosa: com a idade a vista vai encurtando, doenças vão aparecendo e os médicos dizem: “A retina envelhece, outros órgãos enfraquecem e a ida a consultórios e laboratórios é intensa.” Hoje em dia há especialistas para tudo. Por sorte, um bom plano de saúde resolve muita coisa. E o telefone toca frequentemente para avisar os compromissos com a saúde.
Aqui, acolá, um colega desrespeitoso se irrita com a pobre coitada e ela não sabe a razão. Não o vê há muito tempo e desconhece o motivo de tanta raiva. Deus cuidará dele.
Que alegria no dia da eleição ver alguns inativos passarem por ela, abraça-la e dizer ao seu ouvido: “Vou votar na sua chapa” ou então fazer um sinal com o dedo, mostrando o número 1.
A cabeça ferve. Acorda, pela madrugada, pensando nos passos que dará no dia seguinte. Quais os problemas a serem resolvidos, como administrar a casa, a família, o trabalho ativo de uma inativa.
Sabe que os filhos a observam como uma velhinha que não enxerga bem, está magrinha, com dificuldade para andar. “Mãe isso, mãe aquilo. Cuidado. Deixe que eu faço”! Ela pensa: “Devo estar morrendo”!
Em compensação, aparecem boas notícias: uma neta que mora em Londres, vem ver os avós e comunicar que está grávida. Consegue a “Velha Senhora” juntar os quatro filhos e alguns netos. Uma festa, muitas conversas e novidades.
De repente, alguém liga: “Resolva tal problema, fale com fulano, temos um caso na área tal”. E lá vai a velhinha desatar nós no setor sindical.
Um calmante maravilhoso é o mar. Na frente da sua casa. O barulho, seus avanços e recuos dão recados: “Não me agridam! Eu me revolto e passo por cima de tudo”. E o homem não entende a natureza. Vários órgãos foram criados para cuidar do meio ambiente e poucos resolvem casos pequenos.
Aparece um técnico credenciado por uma das instituições e diz que vai resolver o avanço da maré, mas foi ele mesmo que autorizou uma obra de contenção caríssima num condomínio vizinho e mudou o curso das águas. Incoerências da vida. E ninguém resolve nada!
A vida vai correndo e todos nós aprendemos mais e mais com alguns questionamentos: O moço que gritou com a velhinha por causa de uma entrevista na TV, resolveu algo ou tudo está como antes? A velha amiga que apoiou a chapa opositora, conquistou novos pseudos admiradores, gostava na realidade da companheira de mais de trinta anos?
Aí vem a tranquilidade: Deus foi muito bom com a “Velhinha das Alagoas” e conservou sua lucidez após os oitenta anos. Com todas as comorbidades consegue trabalhar, escrever, sonhar.
E o melhor de tudo: o companheiro de 59 anos de convívio, de compreensão, de críticas, de cumplicidade continua ao seu lado.
Compensações são muitas: Uma neta de 21 anos, Maria Teresa, sempre diz: “Vovó, você é uma velha sabida”. Claro. Ela tem razão.
Deus existe. Não duvidem!
Alari Romariz Torres
É aposentada da Assembleia Legislativa







